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Xiitas do Afeganistão enterram seus mortos após atentado suicida

Ataque a mesquita aconteceu em Kandahar, causou 60 mortes e enfraqueceu a promessa do Talibã de garantir segurança no país

Internacional|Do R7

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Xiitas enterram seus mortos após ataque a mesquita no Afeganistão
Xiitas enterram seus mortos após ataque a mesquita no Afeganistão

A comunidade xiita do Afeganistão enterrou seus mortos neste sábado (16), no dia seguinte a um atentado suicida em Kandahar (sul) reivindicado pelo grupo Estado Islâmico-Khorasan (EI-K) que causou 60 mortes e enfraqueceu a promessa do Talibã de garantir a segurança no país.

Pela segunda sexta-feira consecutiva, o país vivenciou um atentado violento contra uma mesquita xiita durante a oração semanal, desta vez em Kandahar, a segunda cidade do Afeganistão e reduto histórico do Talibã.

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Como costuma acontecer no Afeganistão, os números desses ataques ainda são imprecisos. Fontes locais, a maioria religiosa, falam em 60 mortos e 70 feridos.

No cemitério xiita da cidade, dezenas de homens cavaram túmulos neste sábado, onde as vítimas foram enterradas cobertas com uma mortalha branca.

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Mahmmad Agha perdeu seu irmão, "pai de dois meninos, que tinha tudo o que se pode desejar na vida", disse à AFP. "Não tenho palavras para descrever a dor que sinto no coração."

O grupo extremista Estado Islâmico reivindicou o ataque na sexta-feira à noite, o primeiro cometido no reduto do Talibã.

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Ameaça comum

Em um comunicado divulgado em seus canais do Telegram, o grupo disse que um "primeiro homem-bomba detonou seu colete de explosivos [...] em um corredor da mesquita, enquanto o segundo detonou seu colete no centro da mesquita".

Esse ataque ocorreu exatamente uma semana após outro atentado suicida contra uma mesquita xiita em Kunduz (nordeste), no mesmo horário e com o mesmo modo operacional, também reivindicado pelo EI-K.

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Desde sua chegada ao poder, em 15 de agosto, o Talibã enfrenta uma onda de atentados promovidos pelo EI, justamente quando decidiu tornar a segurança uma de suas prioridades, após duas décadas de guerra.

O EI-K (ramo local do EI) atacou os talibãs e a minoria xiita afegã nas últimas semanas.

Os Estados Unidos, por meio do porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, condenaram o atentado e pediram ao Talibã que respeite "seu compromisso no combate ao terrorismo e, em especial, que aja diante da ameaça comum que estamos enfrentando", o EI-K.

Nessas últimas semanas, os talibãs realizaram vários ataques contra células do EI-K, sobretudo em Cabul, após um atentado contra uma mesquita da capital. Também anunciaram a criação de unidades especiais.

O chefe da polícia talibã em Kandahar, Maulvi Mehmood, afirmou em coletiva de imprensa que "todos os serviços" de segurança dos islâmicos "trabalham para encontrar as pessoas envolvidas e puni-las".

Em um comunicado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou um "ataque de ódio [...] contra civis no Afeganistão que exercem seu direito de praticar livremente sua religião".

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