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Flávio Bolsonaro vai aos EUA após ordem judicial que o proibia de deixar o país

Senador é investigado por corrupção; STF determinou apreensão de passaportes

Boletim JR 24H|Do R7

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Menos de 48 horas após receber 56 milhões de votos dos brasileiros, Flávio Bolsonaro deixou o país. Investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), que apuram suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro, o senador viajou aos Estados Unidos após determinação judicial para entregar os passaportes e não deixar o Brasil. 

Na manhã desta terça-feira (27), aliados e integrantes da campanha não tinham informações sobre o paradeiro do senador. Na última reunião após a derrota nas urnas, aliados o aconselharam a permanecer no país e assumir a liderança da oposição a Lula. No início da noite, foi confirmada a presença de Flávio nos Estados Unidos, acompanhado da mulher e das duas filhas. A viagem provoca impacto político e exige um reposicionamento das forças da direita brasileira. 

Segundo apuração do Jornal da Record, Flávio desembarcou na Flórida e já estaria com o irmão, Eduardo Bolsonaro. O Departamento de Estado americano confirmou a emissão de vistos para o senador e a família, permitindo a permanência legal no país. A imprensa americana noticiou que Donald Trump aprovou a entrada de Flávio após a derrota eleitoral. Uma fonte próxima ao governo dos EUA afirmou que o secretário de Estado, Marco Rubio, pode ter auxiliado na viagem. 

A saída ocorreu um dia depois de Flávio ser intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, que apontou risco de fuga. Os documentos brasileiro e diplomático foram cancelados, mas o senador também possui passaporte italiano. Até o momento, não há mandado de prisão contra ele. O STF deve analisar as consequências do possível descumprimento da ordem judicial. 

A Polícia Federal investiga como o senador deixou o Brasil e não localizou registros formais de sua passagem pelas fronteiras brasileiras. Uma das hipóteses é que ele tenha cruzado por terra a fronteira com a Argentina, a partir de Foz do Iguaçu, seguido de Puerto Iguazú para San Fernando, na região metropolitana de Buenos Aires, em um voo particular, antes de embarcar para os Estados Unidos. As autoridades argentinas não registraram sua entrada no país. Outra possibilidade investigada é uma viagem pela Venezuela. 

Em um dos inquéritos no STF, Flávio é suspeito de ser sócio do advogado e amigo Willer Tomaz em um caso de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Tomaz também está nos Estados Unidos. Nesse processo, Alexandre de Moraes determinou a apreensão dos passaportes do senador. O outro inquérito apura o financiamento do filme Dark Horse. 

A última aparição pública de Flávio no Brasil foi na tarde de segunda-feira, durante uma reunião com aliados. A viagem não foi discutida no encontro. Na ocasião, ele foi aconselhado a desistir do pedido de anulação da eleição e propor a cassação da chapa vencedora por abuso de poder econômico. O senador chegou a divulgar um vídeo anunciando a mudança de estratégia, mas nenhum recurso havia sido apresentado à Justiça Eleitoral até o momento. 

Na segunda-feira (26), Flávio afirmou nas redes sociais: “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar meu passaporte e vou me defender dessa aberração que é uma clara tentativa de me calar. Não vamos desistir do nosso Brasil”. 

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