JR ENTREVISTA: acordo Mercosul-UE é aposta de longo prazo para a carne bovina brasileira, diz dirigente
Presidente da Abiec detalha estratégia para abrir novos mercados e reduzir dependência de China e EUA
JR Entrevista|Do R7, em Brasília
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O convidado do JR ENTREVISTA desta quarta-feira (21) é o presidente da Abiec (Associação Brasileira da Indústria de Carne Bovina), Roberto Perosa. À jornalista Flávia Alvarenga, ele fala sobre o desempenho recorde das exportações brasileiras de carne bovina em 2025, os desafios impostos por tarifas e salvaguardas internacionais e as perspectivas do setor para os próximos anos.
Ao falar sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia, Perosa avaliou o tratado de forma positiva, mas ressaltou que se trata de uma estratégia de médio e longo prazo. Ele explicou que o mercado europeu, com destaque para países como Itália, Holanda e Espanha, tem perfil voltado a cortes nobres e não é capaz de absorver o volume excedente que hoje é destinado à China ou os cortes industriais enviados aos Estados Unidos.
Durante a entrevista, Perosa destacou que 2025 foi um ano histórico para a indústria da carne bovina brasileira. Segundo ele, o país exportou 3,5 milhões de toneladas, com uma receita próxima de US$ 18 bilhões, superando os números registrados em 2024.
Além do volume e do faturamento, o dirigente chamou atenção para a ampliação dos mercados compradores: o Brasil passou de cerca de 150 países importadores para 177, o que, segundo ele, demonstra a confiança internacional na qualidade e no controle sanitário da carne brasileira.
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Ao comentar o mercado dos Estados Unidos, segundo maior destino das exportações brasileiras, Perosa explicou que o país vive um ciclo de baixa na produção interna, o menor dos últimos 80 anos, com um déficit estimado em 1,5 milhão de toneladas. Esse cenário aumentou a necessidade de importações, mas foi parcialmente afetado pelo tarifaço americano ao longo de 2025, com uma alíquota de 74,6% por cerca de três meses.
De acordo com Perosa, a medida impediu que o Brasil alcançasse a meta de 400 mil toneladas exportadas aos EUA, limitando o volume a cerca de 270 mil toneladas, que acabaram sendo redirecionadas para outros mercados. Com a retirada das tarifas após negociações entre o setor privado e os governos, a expectativa é de recuperação do volume em 2026.
Sobre a China, principal destino da carne bovina brasileira, o presidente da Abiec afirmou que o país asiático adotou uma medida de salvaguarda para 2026, estabelecendo um limite de 1,106 milhão de toneladas. A restrição representa uma redução de aproximadamente 35% em relação às 1,7 milhão de toneladas exportadas no ano anterior.
Segundo Perosa, a medida tem caráter concorrencial e retira do mercado uma demanda equivalente a quase 3 milhões de bois, o que exige diálogo com o governo brasileiro para mitigar impactos sobre empregos e rentabilidade da cadeia produtiva.
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