JR ENTREVISTA: Agro responde por 25% da economia e puxa alta do PIB em 2025, diz diretor da CNA
Maciel Silva fala sobre o desempenho do agronegócio, os impactos do clima no Sul, o endividamento no campo e as tarifas dos EUA
JR Entrevista|Do R7, em Brasília
O convidado do JR ENTREVISTA desta terça-feira (30) é Maciel Silva, diretor-técnico adjunto da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Ao jornalista Yuri Achcar, ele fala sobre os números positivos da agropecuária brasileira, a despeito dos prejuízos causados pelas condições climáticas na região Sul do país; a inadimplência de produtores rurais e o impacto das tarifas norte-americanas a produtos brasileiros.
Silva ressalta que o desempenho do agronegócio em 2025 confirma a importância do setor para a economia brasileira, representando uma fatia de cerca de 25% de toda a riqueza produzida no país. “O crescimento do PIB Brasil, que a gente está vivenciando, grande parte dele está associada aos ganhos que a gente teve no PIB do agronegócio, que cresceu em torno de 9,8% no ano de 2025”, afirma.
O cenário positivo, contudo, não ocorreu na região Sul, atingida por enchentes desde 2023. “O fato de ser concentrado na região o impacto climático e o resto do Brasil ter um desempenho bom na safra de grãos contribuiu para os preços pressionarem. O produtor gaúcho pega o impacto na produção e no preço [baixo pela alta oferta nacional], o que dificulta ainda mais o fechamento das contas”, explica.
A dificuldade dos produtores rurais, aliás, é uma questão abordada na entrevista. O diretor da CNA destaca o nível de endividamento no campo, que atingiu o maior patamar desde 2011. Um dos problemas seria a carência de recursos para o seguro rural, que poderia prevenir falências.
“A CNA pediu, no último Plano Safra, por exemplo, R$ 4 bilhões de recursos para subvenção ao prêmio do seguro rural. Teve R$ 1 bilhão disponibilizado, com alguns cortes ao longo do ano”, lamenta.
Outra questão desfavorável para a produção brasileira foram as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Mesmo com as exportações atingindo US$ 155 bilhões até novembro, o tarifaço foi um entrave significativo, principalmente a quem produz tilápia e mel, cujo principal destino são os EUA.
“Tilápia, mais de 90% vai para o mercado americano. Mel, acima de 80%. É um impacto muito expressivo para essas cadeias produtivas, que estão se reorganizando, algumas buscando ajuda do governo, mas ainda num momento de bastante preocupação em relação à reestruturação”, avalia Maciel Silva.
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