Logo R7.com
RecordPlus

Pesquisa revela mudança no perfil dos líderes financeiros

68% buscam novo modelo de gestão

Feed TV

Feed TV - Arquivo de Sustentabilidade e ESG|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

Foto: Pexels Feed TV

Um levantamento global da EY, divulgado em junho de 2026, ouviu 1.610 líderes de 28 países e comprovou: a velha receita do diretor financeiro estritamente calculista não funciona mais. Cerca de 68% dos executivos da área admitem a urgência de desenvolver novos estilos de liderança, enquanto 67% planejam ampliar a atuação em tecnologia e gestão de pessoas. Ter uma contabilidade impecável, antes o passaporte dourado para o cargo, virou apenas o pré-requisito básico.


O descompasso entre a expectativa e a realidade nas empresas chama a atenção. Embora 60% dos executivos acreditem que o setor financeiro deveria ditar a criação de valor nos negócios, somente 27% são vistos como parceiros estratégicos pelas outras lideranças. O motivo do gargalo é operacional: quase metade do tempo da diretoria (47%) ainda é gasto apagando incêndios do dia a dia. Pesquisas da Deloitte e análises da McKinsey endossam o drama do setor, mostrando que metade dos líderes sofre com a falta de engajamento de suas equipes e 45% não encontram profissionais qualificados no mercado para a linha de sucessão.

É nesse cenário de transformação e incertezas que a figura do especialista ganha força para orientar quem perdeu a rota. Com mais de 30 anos de bagagem em multinacionais e dezenas de fusões e reestruturações complexas no currículo, Marcelo Baldassare aponta onde os profissionais costumam tropeçar ao tentarem se adaptar aos novos tempos.


“O cargo de CFO parou de cobrar apenas o controle dos números e passou a exigir algo que nenhuma tecnologia atual entrega: o poder de influenciar decisões complexas”, avalia Marcelo Baldassare. A posição deixou de ser um reduto de matemáticos para se tornar um polo de negociação contínua.

Marcelo Baldassare (Foto: Acervo pessoal) Feed TV

Para o executivo, o mercado mudou a forma de enxergar o valor desse profissional. “O que diferencia um CFO estratégico é a capacidade de conectar finanças com estratégia. Se antes a principal missão era explicar resultados, proteger os ativos e zelar pelo compliance, hoje o CFO precisa combinar visão financeira, inteligência de negócios, gestão de riscos e capacidade de transformação”, destaca Marcelo Baldassare.


A dificuldade de abandonar velhos hábitos é apontada como um erro comum: “A armadilha mais comum para quem chega ao topo é tentar manter a mesma identidade puramente técnica do passado, esquecendo de ler o contexto e construir confiança”. Ele reforça que não adianta acreditar que o chefe das finanças vive apenas de tesouradas e cortes de gastos. O papel do líder também envolve criar as condições necessárias para a sustentabilidade da empresa a longo prazo.

Isso exige, muitas vezes, instigar o conselho e ter coragem para aprovar investimentos mesmo em cenários de forte instabilidade econômica. “Formar equipes e investir em inovações pode pressionar o caixa hoje, mas garante o futuro”, ressalta Baldassare.


Com a inteligência artificial e a automação assumindo o trabalho braçal e contábil em velocidade recorde, sobra para os humanos a responsabilidade do julgamento crítico. Em um ecossistema de equipes internacionais e rotinas de trabalho remoto, a influência interpessoal já superou a autoridade hierárquica tradicional.

No fim das contas, a mensagem para quem deseja sobreviver na elite do mundo corporativo é direta. “Dominar a matemática financeira abre as portas, mas são a comunicação, a curiosidade e a coragem para assumir o risco inteligente que garantem a sobrevivência do novo estrategista de negócios”, finaliza Marcelo Baldassare.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.