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Saiba mais sobre a escopolamina, remédio usado contra enjoos ligado a casos de crimes

Sem sabor, sem odor e potencialmente fatal, substância está provocando alarme no Reino Unido

The Conversation

The Conversation|Dipa Kamdar

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Em sua forma em pó, escopolamina é inodora e insípida, o que facilita colocá-la em bebidas Carlos Felipe Ramírez Mesa/Unsplash

A escopolamina, também conhecida pelo sinistro apelido de “sopro do diabo”, é uma droga com dupla identidade.

Na medicina, é usada para prevenir enjoos e náuseas. Mas no mundo do crime, particularmente em partes da América do Sul, ganhou uma reputação sombria como substância capaz de apagar a memória, privar o livre arbítrio e facilitar crimes graves.


Agora, sua presença pode estar despertando novas preocupações no Reino Unido.

RESUMO DA NOTÍCIA

  • A escopolamina, apelidada de “sopro do diabo”, é uma droga com usos médicos, mas também é associada a crimes graves, como roubos e estupros.
  • Recentes relatos de uso da escopolamina no Reino Unido despertaram preocupações, com casos de vítimas que tiveram sua memória apagada e foram transformadas em “zumbis”.
  • Ela é inodora e insípida, facilitando sua administração secreta, e pode causar sérios efeitos colaterais, incluindo perda temporária de memória e alucinações.
  • Sinais de envenenamento incluem batimentos cardíacos acelerados, confusão e desorientação. É crucial procurar ajuda médica imediata ao sentir sintomas após interações sociais inesperadas.

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Embora a maioria dos relatos sobre o “sopro do diabo” venha de países como a Colômbia, as preocupações com seu uso na Europa não são novas. Em 2015, três pessoas foram presas em Paris por supostamente usarem a droga para roubar vítimas, transformando-as em “zumbis” dóceis.


O primeiro homicídio conhecido no Reino Unido relacionado com a escopolamina foi relatado em 2019, quando o dançarino irlandês Adrian Murphy foi envenenado por ladrões que tentavam vender itens roubados dele.

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Em um caso mais recente em Londres, uma mulher relatou sintomas consistentes com exposição à escopolamina após ser alvo de um ataque em transporte público.


A escopolamina, também conhecida como hicosina, é um alcalóide tropânico, um tipo de composto derivado de plantas encontrado na família das solanáceas (Solanaceae).

Tem uma longa história: as comunidades nativas originárias da América do Sul tradicionalmente a utilizavam em rituais espirituais devido aos seus potentes efeitos psicoativos.


Na medicina moderna, a escopolamina (comercializada no Reino Unido como hidrobrometo de hioscina, e no Brasil geralmente como butilbrometo de escopolamina) é prescrita para prevenir enjoos, náuseas, vômitos e espasmos musculares.

Ela também é usada para reduzir a produção de saliva antes de cirurgias.

Como um medicamento anticolinérgico, a escopolamina bloqueia o neurotransmissor acetilcolina, que desempenha um papel vital na memória, aprendizagem e coordenação.

Bloqueá-lo ajuda a reduzir a náusea, interrompendo os sinais do sistema vestibular (equilíbrio) para o cérebro. Mas também traz efeitos colaterais, especialmente quando usado em altas doses ou fora de um ambiente clínico.

Como a escopolamina afeta o cérebro

A escopolamina perturba o sistema colinérgico, que é fundamental para a formação e recuperação da memória. Como resultado, pode causar perda de memória temporária, mas grave: uma das principais razões pelas quais tem sido utilizada como arma em crimes.

Alguns estudos também sugerem que ela aumenta o estresse oxidativo no cérebro, agravando seus efeitos sobre a cognição.

O poder da droga de apagar a memória, às vezes descrito como “zombificação”, tornou-a um foco de interesse forense e criminal. As vítimas frequentemente descrevem confusão, alucinações e perda total de controle.

Usos e abusos

Em ambientes clínicos, a escopolamina é por vezes utilizada fora das indicações terapêuticas para a depressão, transpiração excessiva, ou mesmo para ajudar a parar de fumar. Mas, fora desses usos, está cada vez mais associada ao perigo.

Os usuários recreativos são atraídos por seus efeitos alucinógenos — mas a linha entre a viagem e a toxicidade é muito tênue.

Na Colômbia e em outras partes da América do Sul, a escopolamina, também conhecida como “burundanga”, tem sido implicada em inúmeros roubos e agressões sexuais.

As vítimas descrevem uma sensação de sonho, submissão e incapacidade de resistir ou lembrar-se dos acontecimentos. É isso que o torna tão sinistro — ele rouba das pessoas tanto a capacidade de agir quanto a memória.

A droga é frequentemente administrada secretamente. Em sua forma em pó, ela é inodora e insípida, o que facilita colocá-la em bebidas ou soprá-la no rosto de alguém, como algumas vítimas relataram. Fóruns online detalham como fazer chás ou infusões a partir de partes da planta, sementes, raízes, flores — aumentando o risco de uso indevido caseiro.

Uma vez ingerida, a droga age rapidamente e sai do corpo em cerca de 12 horas, tornando-a difícil de detectar em exames de drogas de rotina. Para algumas pessoas, mesmo uma dose inferior a 10 mg pode ser fatal.

Os sinais de envenenamento por escopolamina incluem batimentos cardíacos acelerados e palpitações, boca seca e pele avermelhada, visão turva, confusão e desorientação, alucinações e sonolência.

Se você tiver algum desses sintomas, especialmente após ingerir alguma bebida ou uma interação social inesperada, procure ajuda e atendimento médico imediatamente.

Dipa Kamdar não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

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