Minas Gerais "A gente não precisa ter vergonha", diz mulher que denunciou médico 

"A gente não precisa ter vergonha", diz mulher que denunciou médico 

Vítima afirmou que a consulta foi em maio, mas que só se sentiu à vontade para denunciar depois que uma jovem procurou a polícia na semana passada

OIto mulheres já denunciaram o médico

OIto mulheres já denunciaram o médico

Reprodução/Redes sociais

Sete meses atrás, ao procurar o ginecologista Edilei Rosa de Novaes, de 74 anos, no Hospital Santa Fé, para tratar de uma infecção urinária, uma paciente ficou assustada com o comportamento do médico. 

— Eu levantei, sentei na maca, fechei a minha camisola ginecológica e ele ficou bem pertinho de mim. Aí ele abriu a minha camisola novamente, pegou no meu seio, apalpou ele todo e ficou fazendo elogios, dizendo que ele era muito bonito. E foi um constrangimento absurdo, porque eu dei um pulo e meio que peitei para descer da maca. E ali eu já fui rapidamente trocar de roupa. Eu já não estava nem prestando atenção na consulta de tanto incômodo que tava me dando naquele momento.

A vítima, que não quis se identificar, conta que teve receio de procurar a polícia na época, mas se sentiu encorajada a fazer a denúncia depois que a jovem de 22 anos chamou a polícia dentro do hospital para denunciar o médico por importunação sexual. 

— Como eu não me senti tão a vontade e tão detentora da minha emoção de fazer a denúncia, quando vi a primeira denúncia, eu decidi que a moça não ia ficar sozinha e que eu ia engrossar essa denúncia

Mesmo sem ter denunciado o médico à época do abuso, a vítima alerta as mulheres sobre a importância de procurar as autoridades em casos como este. 

— Uma das coisas importantes é, primeiro, as mulheres se conscientizarem que isso é abuso sim, que a gente não precisa ter vergonha nunca.

Oito denúncias

Até o momento, oito mulheres procuraram a polícia para denunciar o ginecologista. Na última semana, a paciente que chamou a polícia para o médico, disse que ele tentou beijá-la durante a consulta.

— Ele me puxou pelo braço e no que lee puxou ele já veio encostando a boca e eu, automaticamente, virei e abri a porta do consultório. 

Uma enfermeira que estava de plantão também foi levada para a delegacia para prestar depoimento como testemunha. Ela teria revelado à polícia que esse não teria sido o primeiro caso envolvendo o ginecologista de 74 anos.

— A enfermeira viu que eu fiquei muito nervosa, assustada e perguntou o que estava acontecendo. Eu disse que o médico tentou me beijar. Aí, ela fez uma cara assim de assustada, mas que já tinha presenciado algumas coisas desse tipo lá. 

Após ser autuado em flagrante na delegacia de mulheres, o médico foi encaminhado para um presídio, de onde foi liberado no dia seguinte, após pagamento de R$ 20 mil em fiança