Minas Gerais Advogado de empresário ligado a Aécio deu moto para escrivão da PF

Advogado de empresário ligado a Aécio deu moto para escrivão da PF

Investigação aponta que em troca das vantagens, policial vazava informações sobre o inquérito que apura fraudes na obra da Cidade Administrativa

  • Minas Gerais | Ezequiel Fagundes, da Record TV Minas

Carlos Alberto Arges (à esquerda) e Oswaldo Borges da Costa Filho (à direita)

Carlos Alberto Arges (à esquerda) e Oswaldo Borges da Costa Filho (à direita)

Reprodução / OAB-MG / Record TV Minas

Preso suspeito de vazar dados sigilosos de investigados, o escrivão da Polícia Federal, Márcio Antônio Camillozzi Marra, ganhou uma motocicleta do advogado Carlos Alberto Arges Júnior. Os dois foram presos preventivamente, nesta quarta-feira dia (6), pela operação Escobar da Polícia Federal em Belo Horizonte.

Carlos Alberto Arges Júnior, entre outros clientes, defende o empresário Oswaldo Borges da Costa Filho,  ex-presidente da Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais) indicado pelo deputado federal Aécio Neves (PSDB) na época que o tucano governou o Estado.

Oswaldinho, como é mais conhecido, e Aécio são investigados pela operação Lava Jato por suspeita de fraude na obra da Cidade Administrativa, sede do Governo de Minas. No caso do empresário, o inquérito foi desmembrado, sendo conduzido pela PF em Belo Horizonte e acompanhado pelo advogado Arges Júnior.

Conforme a investigação da operação Escobar, foi identificada a transferência de uma motocicleta Honda CB/300 Limited, do escritório Arges & Arges Advogados Associados, para o escrivão Márcio Antônio Camillozzi Marra, em fereveiro de 2018. Marra, conforme mostrou o  R7, ganhou de outro advogado investigado a indicação para virar conselheiro do Cruzeiro Esporte Clube.

"Observa-se que os vínculos entre Carlos Alberto Arges Júnior e o Márcio Marra, possivelmente se estendem a questões espúrias, havendo inúmeros acessos indevidos que possivelmente beneficiaram aquele advogado. Os diálogos citados e entre os investigados via whatsapp assim como a constatação de transferência de bem (motocicleta) entre o escritório de Carlos Arges e Márcio Marra, também demonstram que pode ter havido obtenção de vantagem ilícita por parte de servidor público", escreveu, em despacho, a juíza Camila Franco e Silva Velano, da 4ª Vara da Justiça Federal em BH.

Ainda segundo a magistrada, é necessário aprofundar as investigações. "tal transferência traz indícios de que pode ter havido a obtenção de vantagem ilícita por parte do servidor público envolvido, o que deverá ser devidamente checado através da análise da quebra do sigilo bancário dos envolvidos, a qual também poderá comprovar a licitude da operação".

Vazamentos

Ainda segundo a investigação, o advogado Arges Júnior teve acesso a depoimentos sigilosos da investigação da Cidade Administrativa, apesar de ter tido acesso oficial aos autos em agosto de 2018. Os dados foram acessados pelos escrivães Márcio Marra e Paulo de Oliveira Bessa, conforme decisão da juíza Camila Franco.

"Diante de todo o exposto, há indícios de que todos os acessos foram realizados em benefício e sob demanda do advogado Carlos Alberto Arges Júnior, posto que, este defensor só teria tido acesso aos autos em 27/08/2018 e estaria recebendo informações privilegiadas da investigação através da atuação indevida dos Policiais Federais responsáveis pela administração do Cartório Central desta SR/PF/MG".

A reportagem entrou em contato com o escritório do advogado Arges Júnior e aguarda um posicionamento. Já a PF não se pronunciou sobre a prisão dos escrivães.

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