Alunos de escola da Aeronáutica "ensinam" tortura em hino de treinamento
FAB abriu sindicância para investigar o caso em Barbacena (MG)
Minas Gerais|Enzo Menezes, do R7, com Record Minas

Alunos da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, da Força Aérea Brasileira, foram gravados em um treinamento repetindo versos com ensinamentos de métodos de tortura. O comandante da atividade era quem puxava a "música". O vídeo foi gravado em Barbacena, no Campo das Vertentes, em data ainda não identificada.
Na gravação, é possível identificar o grupo correndo no pátio enquanto grita frases com apologia à tortura, como "Pega o vagabundo e dá porrada pra matar / Tapa na cara / Chute no peito / Choque na língua / Choque no pé / Uh, choque elétrico" (sic). O vídeo foi divulgado pela revista Carta Capital na última semana.
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Em contato com a reportagem, a FAB afirma que o Comando da Aeronáutica abriu uma sindicância para investigar o caso e que o considera como "episódio isolado". A FAB aponta que "repudia veementemente práticas de apologia à tortura e incentiva o cumprimento e o respeito aos princípios dos Direitos Humanos, tema que integra a formação nas escolas da instituição e que é difundido amplamente para todos os integrantes". O comando explica que os "hinos motivacionais" usados nas atividades não podem ter "qualquer tipo de exaltação à violência".
A Escola Preparatória de Cadetes do Ar conta com 480 alunos entre 14 e 19 anos. O curso dura três anos e é equivalente ao Ensino Médio, feito em regime de internato, acrescido de instruções militares.
No fim de 2014, a Comissão Nacional da Verdade apontou que prisões do Exército, Marinha e da Aeronáutica serviram como centros de tortura durante a Ditadura Militar (1964-85). O relatório confirma que houve desvio de finalidade nas instalações militares e que comandantes permitiram e/ou ordenaram sessões de tortura em presos políticos. Em resposta durante os trabalhos da CNV, as três Forças Armadas enviaram documentos negando "desvio de finalidade" e alegando não ter documentos para "corroborar a afirmação" de que houve tortura.














