Minas Gerais Apesar de contratado, goleiro Bruno precisa de autorização para jogar

Apesar de contratado, goleiro Bruno precisa de autorização para jogar

Jogador depende de autorização da Justiça para jogar fora da cidade dele; Poços de Caldas Futebol Clube anunciou a contratação nesta terça-feira (27)

Bruno posou para foto com a camisa do Poços de Caldas Futebol Clube, o Vulcão

Bruno posou para foto com a camisa do Poços de Caldas Futebol Clube, o Vulcão

Reprodução/Facebook/Poços de Caldas FC

O goleiro Bruno Fernandes assinou contrato com um time do interior de Minas Gerais, que sequer disputou a terceira divisão do Campeonato Mineiro neste ano, mas ainda depende de autorização judicial para voltar a atuar dentro de campo.

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Isto acontece não só porque o clube contratante, o Poços de Caldas Futebol Clube, fica localizado a 150 km de Varginha, onde o jogador mora com a esposa e uma filha, mas, segundo o TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), o juiz Tarcísio Moreira de Souza precisa avaliar o contrato e, depende dele, o aval para que Bruno possa voltar aos gramados.

O ex-goleiro do Flamengo também só pode deixar a cidade com permissão da Justiça.

A permanência em Varginha foi um dos critérios estabelecidos pelo juiz Tarcísio Moreira de Souza para que o atleta pudesse deixar a prisão, em julho deste ano. Apesar da limitação, o Poços de Caldas Futebol Clube garantiu que o contrato com o jogador foi assinado e que ele deve ser apresentado na próxima semana.

Em entrevista concedida nesta terça-feira (28), o presidente do clube Paulo César da Silva, diz que, entre o time e o atleta, está tudo certo.

— Referente ao clube não está faltando nada, apenas a liberação do desembargador ou juiz, alguma coisa assim, para que ele esteja presente na cidade de Poços de Caldas.

Divergência

Mariana Migliorini, advogada que representa o atleta, informou ao R7 que pretende fazer um cronograma com as datas de todos os possíveis jogos e treinos fora da cidade e enviar para avaliação da Justiça e do Ministério Público. Segundo ela, Bruno não precisa de autorização judicial para voltar a jogar, já que o trabalho é obrigatório para condenados que cumprem regime domiciliar.

Como o presídio de Varginha, onde Bruno estava preso, não tem vagas para detentos que cumprem o semiaberto, eles passam ao regime domiciliar, de forma automática, de acordo com a Súmula Vinculante 56, do STF (Supremo Tribunal Federal).

"O trabalho é uma condição que ele tem de cumprir. O semiaberto aqui difere um pouco do normal", justifica a advogada ao dizer que Bruno não precisa de autorização da Justiça para voltar a jogar, apenas para atuar fora da cidade.

No entanto, o ex-presidente da Comissão de Assuntos Carcerários da OAB-MG (Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais), Fábio Piló, garante que o juiz precisa anuir o trabalho de Bruno. 

— É uma obrigação dele trabalhar, mas o trabalho externo tem que ser autorizado. Ainda mais que, como ele está em regime semiaberto, ele deve estar na comarca para pernoitar

Prazo

O juiz Tarcísio Moreira de Souza não tem prazo para decidir se Bruno poderá ou não atuar pelo clube de Poços de Caldas, e aguarda manifestação do Ministério Público de Minas Gerais sobre o assunto.

Enquanto isto, Bruno Fernandes deve treinar em Varginha, com um profissional do Poços de Caldas Futebol Clube. Ainda segundo a advogada, o jogador já começou sua preparação física em uma academia local.

A advogada dele Mariana Migliorini também confirmou que outros times ainda estão interessados em ter Bruno no elenco, contudo, segundo ela, não há análise das propostas, enquanto o contrato com o Poços de Caldas estiver vigente.

— Há times com interesse, mas o foco é em mantê-lo em família, aqui na comarca de Varginha.