Minas Gerais 'Avaliação inadequada' do piloto contribuiu para acidente que matou Marília Mendonça, aponta FAB

'Avaliação inadequada' do piloto contribuiu para acidente que matou Marília Mendonça, aponta FAB

Relatório diz que houve decisão inadequada do piloto em relação ao 'perfil de aproximação para pouso'

  • Minas Gerais | Maria Luiza Reis, Do R7

Marília morreu aos 26 anos

Marília morreu aos 26 anos

Reprodução / Instagram

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira, concluiu, nesta segunda-feira (15), que o julgamento "inadequado" do piloto contribuiu para o acidente que matou a cantora Marília Mendonça e mias quatro pessoas em Piedade de Caratinga, a 243 km de Belo Horizonte, em novembro de 2021.

Durante a tarde desta segunda, o advogado da família de Marília havia informado à imprensa que o laudo da Força Aérea Brasileira (FAB) não tinha apontado falha humana como causa do acidente. No entanto, o relatório final, divulgado no início da noite, diz que houve decisão inadequada do piloto em relação ao “perfil de aproximação para pouso”. O laudo revela que “a perna do vento foi alongada em uma distância significativamente maior do que aquela esperada”. 

Ainda segundo o documento, o piloto estava física e mentalmente saudável, considerado apto ao exercício de atividade aérea. No entanto, havia indicação de que ele usasse lentes para correção de astigmatismo. As investigações não puderam concluir se o piloto usava ou não as lentes no momento do acidente. 

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O relatório afirmou que “a visão é um dos requisitos mais relevantes para a operação de aeronaves” e que a percepção de profundidade pode ser distorcida por miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia. Com a distorção, fios mais altos podem parecer estar mais afastados, e tal efeito só é percebido em distâncias inferiores a 100 m, o que deixa pouco tempo para o piloto reagir.

A investigação mostrou que os cabos da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) foram um obstáculo para o avião. Isso porque a linha de transmissão apresentava baixo contraste em relação à vegetação ao fundo, o que dificultava sua percepção. 

“Uma vez que não foi possível confirmar se o PIC (piloto) fazia uso de lentes corretoras no momento do acidente, deve-se considerar que, em uma eventual ausência das lentes, haveria certa redução da sua acuidade visual e da percepção de profundidade", revela o documento. 

De acordo com o Cenipa, a apuração não tem como objetivo "apontar culpados" nem causar "implicações judiciais". "O processo é realizado com o propósito de prevenir acidentes e compreende a reunião e a análise de informações e a obtenção de conclusões, o que inclui a identificação dos fatores que contribuíram com a ocorrência, visando à formulação de recomendações sobre a segurança", afirma o órgão.

O Cenipa recomenda a instalação de sinalizadores na linha de transmissão em questão, mesmo que estejam fora do perímetro de segurança do aeroporto.

A Polícia Civil informou, em nota, que "teve acesso ao relatório conclusivo elaborado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). De posse das informações técnicas relacionadas à aeronave, a #PCMG informa que concluirá as investigações nos próximos dias". 

A reportagem procurou a Cemig e aguarda retorno. 

Acidente 

A cantora sertaneja Marília Mendonça, chamada de rainha da sofrência, morreu, aos 26 anos, em um acidente aéreo. Ela e sua equipe estavam a caminho de Caratinga, a 243 km de Belo Horizonte, onde faria uma apresentação. Todos os ocupantes do voo morreram na hora.

Arte R7

Além da cantora, o produtor Henrique Bahia, o tio e assessor da artista, Abicieli Silveira, o piloto Geraldo Martins de Medeiros Júnior e o copiloto Tarciso Pessoa Viana não resistiram à queda.

O avião era um bimotor King Air C90, prefixo PT-ONJ, que saiu do aeroporto de Santa Genoveva, em Goiânia. O acidente aconteceu apenas um minuto antes de a aeronave pousar no aeroporto da cidade mineira. 

A aeronave foi alugada para transportar a artista e a equipe dela. O avião pertencia à empresa PEC Táxi Aérea, mas já tinha tido ao menos outros quatro donos. Entre eles, a dupla sertaneja Henrique e Juliano, formada por dois grandes amigos de Marília.

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