Minas Gerais Backer reabre bar em BH e revolta famílias de vítimas de cerveja

Backer reabre bar em BH e revolta famílias de vítimas de cerveja

Estabelecimento que funciona na fábrica da cervejaria mineira tem autorização para reabrir; bebidas foram produzidas por outra empresa em SP

  • Minas Gerais | Shirley Barroso, da Record TV Minas

O restaurante da cervejaria Backer, na região Oeste de Belo Horizonte, voltou a funcionar, neste sábado (17). A reabertura revoltou familiares das vítimas da intoxicação causada por bebidas da marca, que provocou a morte de ao menos 10 pessoas.

O espaço reabriu um dia após 10 pessoas entre sócios e funcionários da empresa virarem réus no processo referente ao caso que também deixou mais de 20 doentes. Segundo a Prefeitura de BH, o alvará do restaurante está em dia e não há impedimentos para ele funcionar.

Vídeos publicados nas redes sociais mostraram a preparação do evento de inauguração. Uma das cervejas que eram produzidas pela Backer, a Capitão Senra, foi relançada com novo rótulo. Convidados brindaram e comemoraram a reabertura da casa. 

Como a fabricação da Backer foi suspensa pelo Ministério da Agricultura, a produção das bebidas vendidas na reabertura foi realizada por uma cervejaria parceira, a Germania, que fica localizada no interior de São Paulo. A volta das atividades no local deixou parentes de vítimas da cervejaria indginados. 

Empresa reformulou a linha de cervejas

Empresa reformulou a linha de cervejas

Reprodução/Instagram

Eliana Reis, mulher de uma das vítimas da intoxicação pela cerveja, não acreditou quando viu as imagens de comemoração ao relançamento da bebida.

— Tem uma faixa lá [na fábrica] que diz que, apesar da reinauguração, querem prestar homenagem às vítimas. Não tiveram empatia no início, não estão tendo no meio e não estão tendo no fim. 

O marido de Eliana foi intoxicado por dietilenoglicol e morreu em julho desse ano. José Osvaldo de Faria, de 66 anos, foi a nona vítima da Backer. Ele morreu depois de ficar um ano e meio internado em uma unidade de terapia intensiva.

Guilherme Leroy, advogado de uma das vítimas, lamenta que a empresa esteja priorizando a retomada dos negócios.

— Continuamos, ainda, com a expectativa de conseguir, seja mediante o comportamento da empresa, que parece preocupar com as vendas da cerveja e não com as vítimas, ou mesmo com a Justiça para que essas pessoas possam receber as indenizações.

Funcionamento 

A prefeitura informou que o alvará de funcionamento do restaurante da cervejaria está regular e que não existe nenhum impedimento para que a casa volte a funcionar por causa das contaminações.

A reportagem do R7 entrou em contato com a cervejaria Backer para saber se irão comentar sobre a volta das atividades e aguarda retorno. 

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