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Câmara de BH aprova internação involuntária de dependentes químicos

Decisão deverá ser formalizada por um médico responsável, e o período de permanência terá prazo máximo de 90 dias

Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou o Projeto de Lei 174/2025 sobre internação de usuários de drogas.
  • O projeto recebeu 28 votos favoráveis e segue para sanção ou veto do prefeito.
  • A internação involuntária será decidida por um médico e terá prazo máximo de 90 dias.
  • Vereadores debateram intensamente, com críticas sobre possíveis violações de direitos humanos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Votação foi marcada por intenso debate entre os vereadores e manifestações do público presente Foto/Letícia Oliveira/CMBH

A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou, em segundo turno, nesta quarta-feira (11), o Projeto de Lei (PL) 174/2025, que institui e regulamenta a internação voluntária e involuntária de usuários e dependentes de drogas na rede de atenção à saúde da capital. A proposta recebeu 28 votos favoráveis e agora segue para sanção ou veto do prefeito.

A votação foi marcada por intenso debate entre os vereadores e manifestações do público presente na galeria do Plenário Amintas de Barros. Parlamentares contrários tentaram obstruir a votação, mas não conseguiram impedir a análise da matéria.

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O projeto é de autoria do vereador Braulio Lara (Novo) e foi aprovado na forma de um substitutivo apresentado pelo líder do governo na Câmara, Bruno Miranda (PDT).

Como funcionará o tratamento

O texto estabelece que o tratamento de pessoas com dependência química deverá ocorrer dentro de uma rede de atenção à saúde, com prioridade para modalidades ambulatoriais.

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A internação em unidades de saúde ou hospitais gerais poderá ocorrer de forma excepcional, quando indicada, e deverá estar articulada com os serviços de assistência social.

No caso da internação involuntária, a decisão deverá ser formalizada por um médico responsável, e o período de permanência será apenas o necessário para a desintoxicação, com prazo máximo de 90 dias.

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A proposta também prevê diretrizes para a política de atendimento, como:

  • uso de protocolos técnicos baseados em evidências científicas;
  • acompanhamento dos resultados por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas (SISNAD);
  • foco na reinserção social e econômica, com programas de educação, capacitação profissional, esporte e cultura;
  • ações de prevenção voltadas à população em geral.

Para o autor do projeto, a proposta cria uma nova forma de lidar com o problema da dependência química nas ruas da capital.

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“As pessoas acometidas por drogas nas ruas de Belo Horizonte não podem ser largadas para morrer em uma sarjeta. Precisamos implementar mecanismos para tratar dessas pessoas”, afirmou Braulio Lara durante a sessão.

Vereadores defendem medida como política de cuidado

Parlamentares favoráveis ao projeto argumentaram que a internação involuntária pode ser necessária em casos em que o dependente químico não tem condições de decidir por si próprio.

O vereador Wanderley Porto (PRD) destacou que a proposta cria instrumentos legais para encaminhar essas pessoas para tratamento. “É importante termos um mecanismo na lei que possa fazer todo esse encaminhamento e cuidado para que essas pessoas de fato se recuperem”, disse.

Já Sargento Jalyson (PL) afirmou que o projeto tem um caráter humanitário. “Perguntem para uma mãe que tem um filho dependente químico o que ela acha desse projeto. É essa família que sofre quando o dependente já não tem controle sobre si”, declarou.

Oposição critica proposta

Vereadores contrários ao texto afirmaram que a proposta pode violar direitos e a dignidade humana e defenderam que a dependência química deve ser tratada prioritariamente como questão de saúde pública, sem medidas coercitivas.

Um dos principais críticos da proposta, Pedro Patrus (PT) afirmou que o projeto seria inconstitucional e deveria ser vetado pela Prefeitura.

Para a vereadora Iza Lourença (Psol), a cidade deveria investir mais em políticas de cuidado, como a ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD).

“Nós não precisamos de políticas que recolham pessoas em situação de rua para trancá-las em tratamento involuntário. Precisamos ampliar o atendimento de saúde pública”, afirmou.

Com a aprovação em segundo turno, o projeto segue agora para redação final e encaminhamento ao prefeito, que poderá sancionar ou vetar a proposta.

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