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Centros para jovens infratores em Minas funcionam com cerca de 20% acima da capacidade

Atualmente são 1.308 vagas destinadas a 1.545 adolescentes em recuperação

Minas Gerais|Márcia Costanti, do R7

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Jovens reclamam das dificuldades dentro das unidades
Jovens reclamam das dificuldades dentro das unidades

Calor, ambientes abafados e profissionais exaustos devido ao excesso de trabalho: esta é a realidade que boa parte dos adolescentes infratores de Minas Gerais enfrenta ao cumprirem medidas socioeducativas no Estado. As 32 unidades destinadas ao tratamento dos menores, sendo 22 centros e dez casas de semiliberdade estão superlotadas: segundo a Seds (Secretaria de Estado de Defesa Social), são 1.308 vagas divididas entre 1.545 jovens. Ou seja: cerca de 20% a mais do que a capacidade do Estado.

—O filho da promotora de vendas, Carla Patrícia, faz parte das estatísticas: ele cumpre medida socioeducativa por assalto em uma casa de semiliberdade do bairro Planalto. Embora comemore as mudanças de comportamento do rapaz, Carla critica a estrutura oferecida à jovens como ele. Ela alega que o filho, “que não costuma reclamar”, comenta que sofre com o calor e o excesso de pessoas no local.

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—Eu não deixo ele reclamar muito, porque foi ele quem procurou. O pessoal de lá é super eficiente, mas eles também estão sofrendo com a superlotação, eles fazem o que dá para os meninos.

A promotora de vendas conta ainda que o filho teve uma passagem de cerca de três meses em outra unidade, desta vez no bairro Jaqueline. Indignada com o atendimento, ela denuncia as condições precárias do imóvel.

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—Aquilo não recupera ninguém não. Tinha vez que não tinha nem água para os meninos tomarem banho.

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Caminhos errados

Mestre em psicologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Maria Clara Jost lançou recentemente o livro “Por trás da Máscara de Ferro”, e esteve frente a frente com jovens que encaram o desafio da recuperação. A especialista explica que a maior parte dos adolescentes infratores sofre com problemas de autoestima e veem no crime como “maneira de existirem”. Maria Clara relata que o sentimento entre os menores é o mesmo: eles alegam que são tratados como “lixo” e se sentem um número a mais para a sociedade.

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—Eles têm a sensação de que se morrerem ou não, não fará diferença, isso é extremamente despersonalizante. Perdendo o próprio valor, a vida do outro vai perdendo também.

Para ela, “os caminhos estão errados” no que diz respeito à ressocialização dos infratores. A psicóloga aposta em um sistema embasado no resgate do ser humano, de forma a oferecer aos jovens um novo sentido para a vida.

— Eles querem ajuda, mas é preciso pensar em um tratamento individualizado, com espaços menores, para que eles aprendam coisas novas. Muitos têm esperança e acreditam que é possível mudar, desde que haja alguém que acredite nesta mudança.

Providências

Em nota, a Seds informou que novas unidades de cumprimento de medidas socioeducativas serão inauguradas até o final do ano que vem em Passos, Vespasiano, Janaúba, Tupaciguara e Ipatinga, com cerca de 40 vagas cada. Além disso, os centros já existentes passarão por readequações, segundo orientação do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase).

O Governo de Minas vai criar ainda 600 novas vagas para o cumprimento de medidas em meio aberto, como prestação de serviços à comunidade e liberdade assistida. O órgão reforçou ainda a existência do programa Se Liga, que “que contribui para a sustentação ou continuidade de projetos construídos durante o cumprimento da medida e auxilia na construção de novas oportunidades para os jovens”.

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