Chuvas deixam ao menos 30 mortos e rastro de destruição na Zona da Mata mineira
Cidades de Juiz de Fora e Ubá foram as mais atingidas pelo temporal; 40 pessoas estão desaparecidas
Minas Gerais|Da Reuters
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Pelo menos 30 pessoas morreram em Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata mineira, em decorrência de chuvas fortes que atingiram a região, informou nesta terça-feira (24) o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais — acrescentando que as equipes de resgate ainda buscam por cerca de 40 desaparecidos.
As chuvas e os deslizamentos de terra que ocorreram como consequência dos temporais deixaram um rastro de lama e destruição em Juiz de Fora.
Escombros e casas soterradas, além de água lamacenta, podiam ser vistas na cidade, onde houve transbordamento do Rio Paraibuna, causando inundação de ruas, avenidas e casas.
“Foi terrível, sem palavras para descrever o quão triste é, não tem o que falar, só pedir a Deus para encontrar os que ficaram com vida e que ele faça um milagre”, disse a moradora Sandra Jaqueline Teixeira, de 45 anos.
O vice-governador de Minas, Mateus Simões (PSD), disse a jornalistas em Juiz de Fora que 500 homens atuam nos trabalhos de resgate das vítimas do que chamou de “maior desastre geológico” a já ter atingido as cidades de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa.
Ele reconheceu que, conforme o tempo passa, diminuem as chances de encontrar os desaparecidos com vida.
Ainda assim, as equipes de resgate intensificavam os esforços de busca a eventuais sobreviventes.
“Sou bombeiro civil, estou aqui para ajudar. Uma situação precária, muitos desaparecidos, mas um ajudando o outro a gente acaba encontrando todo mundo”, disse Gabriel Vitor, de 24 anos, que atuava nos esforços de resgate.
A prefeitura de Juiz de Fora informou que decretou estado de calamidade e que “órgãos nacionais e estaduais já foram acionados para prestarem o apoio necessário”. O governo federal reconheceu o estado de calamidade pública, o que possibilitará o início imediato dos trabalhos de socorro e ajuda humanitária, disse o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional em nota oficial.
“Juiz de Fora enfrenta um momento crítico em razão das fortes chuvas. É o fevereiro mais chuvoso da história, com volume já superior ao dobro do esperado para o mês. Todas as equipes da prefeitura e forças de segurança estão nas ruas”, disse a prefeita Margarida Salomão (PT), que considerou a situação na cidade como “gravíssima”.
Moradores ficaram ilhados durante o temporal e muitas ruas viraram rios.
Em Ubá, outra cidade também fortemente atingida pelas chuvas, o cenário também era de destruição. Em publicação em suas redes sociais, o prefeito de Ubá, José Damato (PSD), fez um apelo por ajuda dos governos estadual e federal.
“A cidade de Ubá está arrasada”, disse. “É a maior enchente da história.”
Mais chuvas pela frente
A previsão é de mais chuvas na região nas próximas horas. O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) divulgou alerta de “grande perigo” devido ao acumulado de chuvas para uma região que inclui a Zona da Mata mineira, com validade até as 23h59 de 27 de fevereiro.
O governo mineiro decretou três dias de luto no Estado.
“Estou acompanhando todos os desdobramentos das ocorrências na Zona da Mata. O trabalho do Estado continuará enquanto for necessário. Minas está presente e fará tudo o que estiver ao seu alcance para amenizar esse sofrimento”, afirmou em nota o governador Romeu Zema (Novo).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que tomou conhecimento da situação em MG durante escala de viagem em Abu Dhabi e ligou para a prefeita de Juiz de Fora para prestar solidariedade e oferecer o apoio do governo federal.
“Nosso foco é garantir a assistência humanitária, o restabelecimento dos serviços básicos, o auxílio às pessoas desabrigadas e o suporte à reconstrução”, disse Lula em publicação na rede social X.
“Quero enviar meus profundos sentimentos às famílias que perderam seus lares e, o que é pior, os seus entes queridos. E me solidarizar com as autoridades e forças de segurança mineiras que estão trabalhando no resgate e no atendimento imediato à população prejudicada pela chuva.”
Lula enviou o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, à região.
Ajuda federal
O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, anunciou que o governo federal disponibilizará R$ 800 para cada pessoa desabrigada por causa das chuvas que afetam a região mineira.
A verba será liberada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e entregue para as prefeituras de oito municípios atingidos que, então, repassarão aos moradores.
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