‘De forma brutal’, diz filha de vendedor de acarajé que foi morto a tiros em BH
Suspeito do crime é um entregador que teria discutido com a vítima um dia antes; homem foi preso e depois liberado pela polícia
Minas Gerais|Arnon Gonçalves, do R7 e Stéphanie Lisboa, da RECORD Minas
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“De forma brutal”, desabafa Franciele, filha do vendedor de acarajé que foi morto a tiros a caminho do trabalho em Belo Horizonte. Rui Wanderley Barbosa da Silva, de 64 anos, estava em uma kombi com o irmão quando foram abordados por duas pessoas em uma moto. Rui foi atingido na cabeça e morreu ainda no local. A família ainda não entende tamanha brutalidade do crime e cobra por justiça.
Um dos suspeitos do crime é um entregador com quem a vítima teve uma discussão na noite anterior. O homem chegou a ser preso, mas foi liberado após prestar depoimento. A Polícia Civil segue investigando a motivação e autoria do homicídio.
Vendedor de acarajé
Natural de Ilhéus, na Bahia, Rui já morava na capital mineira a 50 anos. Com 9 filhos, o idoso era conhecido por ser muito atencioso com todos como conta a filha dele, Franciele: “Ele conhecia todo mundo, qualquer lugar que ele ia o povo amava meu pai. Do bem, ajudava todo mundo”.
Rui tinha uma lanchoente de acarajé no bairro Xangri-Lá, que nomeu com o nome da mãe “Acarajé da Natalice”, e costumava vender dos produtos também na Feira de Artesanato da avenida Afonso Pena, conhecida como Feira Hippie.
Um dia antes do crime
Segundo Franciele, no sábado (24) à noite o entregador que levava as encomendas da loja teve um problemo e eles precisaram acionar outro, por meio de uma empresa especializada. Ela conta que durante uma das entregas, o pai e o novo entregador acabaram discutindo. “Foi apenas uma discussão, não chegou a ser uma briga. Ninguém chegou a brigar, bater um no outro”.
Ainda conforme o relato da filha, durante o desentendimento, o motociclista teria dito ao idoso: “Coroa, você não me conhece. Eu sou cria da Bispo de Maura. Vou ali pegar uma peça e depois nos vemos”. A filha contou ainda que, após a discussão, o proprietário da cooperativa foi até o estabelecimento e perguntou se a família gostaria de registrar um boletim de ocorrência contra o entregador. Rui teria recusado a proposta depois de ouvir do responsável pela empresa que conhecia o homem, que trabalhava com ele havia dois anos e não seria problemático.
Momento dos disparos
Mais ou menos três horas depois da discussão, já na madrugada de domingo (25), Rui saiu com o irmão em uma kombi em direção à Feira Hippie para preparar a barraca. No caminho, na altura da rua José Simplício Moreira, no bairro Trevo, eles foram surpreendidos por duas pessoas em uma moto. O passageiro foi quem efetuou os disparos na direção do comerciante, um atingiu a cabeça da vítima.
“Fica a uns cinco segundos da casa dele, onde ele foi morto. Ele estava do lado do meu tio, que é irmão dele. Meu tio falou que foram duas pessoas em uma moto, mas não conseguiu reconhecer pelo trauma mesmo, não conseguiu enxergar [quem era]”. Mesmo ferido, Rui conseguiu dirigir por mais alguns metros. A equipe da Polícia Militar que atendeu à ocorrência prestou socorro à vítima e a encaminhou ao Hospital Risoleta Neves, mas ele não resistiu e morreu no local.
“É muito estranho meu pai ter falecido logo depois dele ter sido ameaçado de morte. Três horas depois. A briga foi meia noite e ele foi morto umas 3 hoas da manhã. A gente quer jusitça. Meu pai levou três tiros, um na cabeça, não tinha necessidade disso. Meu pai é um homem honesto, trabalha todos os dias, estava indo trabalhar, com a kombi carregada”, desabafa Franciele.
O que levantou ainda mais a suspeita da família de que a intenção já era matar o comerciante foi o fato dos autores não terem levado nenhum pertecen da vítima. “Nada foi levado. Dinheiro intacto que ele carrega, cartão, celular, tudo intacto. Não chegaram nem a abrir a porta da kombi. Não foi assalto”.
Prisão
A partir das informações reunidas durante a investigação, o serviço de inteligência da Polícia Militar identificou um endereço ligado ao suspeito dos disparos, no bairro Conquista, em Contagem. Uma equipe foi até o local e conseguiu prendê-lo.
Segundo a PM, nada de ilícito foi encontrado durante a busca pessoal. O homem permaneceu em silêncio e foi conduzido à delegacia, onde ficou à disposição da Polícia Civil. Após prestar depoimento, ele foi liberado.
O serviço de inteligência da Polícia Militar continua buscando imagens que possam ajudar a esclarecer o crime. A ocorrência foi registrada pelo 49º Batalhão da Polícia Militar. “Quem sabe, quem viu alguma coisa, câmeras, entregar pra polícia pra ajudar a gente realmente descobrir quem foi”, pede Franciele.
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