Divinópolis (MG) registra o 31º tremor de terra do ano
Abalo sísmico atingiu a magnitude de 2.4, considerada de baixa intensidade; especialista diz que tremores em série não são raros
Minas Gerais|Dara Russo*, Do R7

A cidade de Divinópolis, a 121 km de Belo Horizonte, registrou o 31º tremor de terra do ano, na madrugada desta quinta-feira (27).
A abalo foi magnitude de 2.4 na escala Richter, o que é considerado de baixa intensidade e incapaz de provocar danos materiais.
O primeiro abalo de 2022 no município foi registrado no dia 11 de janeiro. Considerando todo o mês, a cidade da região centro-oeste teve uma média de 1,1 tremor por dia. Todos eles foram de baixa intensidade.
George Sand, professor do Observatório Sismológico da UnB (Universidade de Brasília), explica que o tremor na cidade pode estar relacionado à movimentação de uma falha geológica na crosta superior existente na região. O especialista afirma que a fissura torna a os abalos comuns na região.
“A Terra é cheia de rachaduras e onde está mais fácil de se movimentar, ela se desloca e gera tremores, é normal”. Quando os abalos causados pela movimentação das falhas acontecem de forma associada e em um determinado período de tempo, o fenômeno é chamado por especialistas de enxame sísmico.
O professor relembra que um fenômeno parecido ao de Divinópolis já foi registrado na cidade de Sobral, no Ceará. Na região, os tremores duraram cerca de 3 a 4 meses e suas magnitudes diminuíram ao longo do tempo.“Em Minas Gerais e na região central do Brasil, não temos ocorrências muito grandes deste tipo”, destacou Sand.
O último tremor registrado na cidade mineira teve magnitude de 2.4 e o mais intenso deles foi o primeiro, de 2.9. “Isso leva a crer que começará a diminuir, que está caindo a sismicidade, geralmente é isso que acontece”, aponta o professor. “É um padrão que costuma acontecer, mas não podemos dizer com certeza que vai cessar e nem quando”, completa.
Ainda que todos os tremores registrados sejam de baixa magnitude e os sinais sejam quase imperceptíveis, Sand afirma que o registro dos fenômenos é muito importante. “É importante o acompanhamento dessas rachaduras, que muitas vezes não causam nada, porque a Terra tem uma história muito longa e isso vai se acumulando”.
Para o professor, a população de Divinópolis deve estar ciente de que a atividade sísmica na cidade ainda não cessou e a Defesa Civil local deve permanecer em alerta, como uma medida de precaução. "É preciso frisar que esses 31 tremores são aqueles que se consegue detectar ou perceber, ainda que muito pequenos. Às vezes é possível ter outros, com magnitude abaixo de 1.8, que passam batido e que nem mesmo a população percebe", explica.
*Estagiária sob supervisão de Pablo Nascimento













