"É como trazer o troféu para casa", diz vocalista da banda mineira Lagum sobre show em BH
Grupo mineiro se apresenta na capital mineira neste sábado (26); integrantes prometem agitar e emocionar fãs
Minas Gerais|Arnon Gonçalves*, do R7

A banda Lagum pretende celebrar a nova fase e revisitar as memórias dos fãs que acompanham o grupo desde o início em um show em Belo Horizonte. O grupo é uma das atrações de um festival que acontece neste sábado (26), a partir das 12h, no Mineirão, na capital mineira.
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Formada em 2014, Lagum é uma banda que surgiu na capital mineira, atualmente composta por Pedro Calais, Zani Furtado, Jorge Borges e Francisco Jardim, de estilo pop alternativo. Mas o grupo, conhecido pela criatividade, já deixou bem claro em músicas e apresentações que defini-los não é uma tarefa fácil, muito menos recomendável.
A apresentação no Festival Sarará, deste sábado (26), é o segundo show da banda em Belo Horizonte desde que saíram com a nova turnê. “A gente vem com novas músicas, mas o show com a mesma 'quebradeira' de sempre. Então a galera pode esperar entrega plena nossa”, disse o guitarrista Jorge Borges.
Para a banda, retornar a BH é um misto de emoção com gratidão, como explica o vocalista Pedro Calais: “Tem várias pessoas que viram a gente começando, que nos apoiou no início. E esse é um momento perfeito para a gente dividir isso com essas pessoas que estavam lá no início, é como trazer o troféu para casa, para comemorar com a galera”.
Normalmente, por contar com uma quantidade grande de atrações, as apresentações dos artistas em festivais têm um tempo reduzido. Ainda assim, Lagum destaca que é uma ótima oportunidade para trocas com o público. “Tocar em um festival é bom porque você tem um público gigantesco que nem sempre é o seu. Às vezes, é um público que está esperando outro artista e você tem a chance de apresentar para eles e quem sabe fidelizar eles. Então, é uma grande vitrine.”, disse Pedro.
Além disso, eles gostam da possibilidade de conhecer e assistir o show de outros artistas, assim como aproveitar a oportunidade de conversar com eles. Neste ano, entre as atrações do festival estão Marisa Monte, Arnaldo Antunes, MC Cabelinho e Jorge Aragão.
Álbum imersivo

Depois do Fim, quarto álbum da banda e projeto do qual nasceu a nova turnê, foi lançado em abril deste ano, com 14 faixas. O clipe oficial da música tema já conta com mais de 1 milhão de visualizações no Youtube.
Entre os assuntos presentes nas canções do novo álbum estão sentimentos como dor e resiliência. “A gente sempre disse que ele [o álbum] representa para a banda um recomeço. Mas, cada vez mais eu tenho achado que ele representava um ponto final, que o recomeço está sendo feito a partir dele”, explica o vocalista Pedro Calais.
O álbum nasceu de uma experiência imersiva do grupo, quando eles decidiram morar juntos durante dois meses. “É um álbum que nos aproximou muito. E, é quase que um purgatório em forma de música. Ele diz sobre muitas dores, e não dores traumáticas, mas dores de crescimento, aquelas dores que são o preço a se pagar para crescer, para evoluir”, completa Pedro.
Outro ponto que contribuiu para o álbum levar este nome e a simbologia por trás das músicas foi a partida de Breno Braga, o “Tio Wilson”. O baterista da banda, carinhosamente chamado de “tio” por ser o mais velho do grupo, faleceu em 2020.
A despedida retratada nas letras do álbum, então, fala sobre a partida do amigo. Agora, a banda se abre para redescobrir e se reestruturar por meio da música, como diz a letra da canção Depois do Fim, que deu nome ao álbum e a turnê: “Não olha pra trás, que eu tô seguindo em frente, tem gente que começa só depois do fim”.
Veja o clipe da música:
Inspiração mineira
Sobre a inspiração para as músicas, eles revelam que os artistas de Belo Horizonte continuam sendo uma grande referência. “Desde sempre a gente escuta Skank, Jota Quest, Clube da Esquina, então é uma coisa que está no subconsciente de todo mundo. E isso influencia diretamente pra nós que somos músicos. A gente busca nesses caras tanto questões musicais quanto questões empresariais”, explica o guitarrista Zani Furtado.
Ele diz, ainda, que buscam inspiração, também, na nova leva de artistas: “FBC, Djonga, essa galera toda, é muito legal fazer parte dessa época da música mineira.” Além da inspiração, a proximidade com outros artistas rendeu, também, ótimas parcerias como as músicas com o duo Anavitória e com a cantora Iza.
Mas os objetivos não param por aí. O grupo ainda pretende ter um estúdio próprio e continuar melhorando enquanto artistas. “Estamos sendo sempre fiéis a nós mesmos, buscando aprimorar nossa arte, ir para mais lugares do Brasil, que é um país gigantesco com uma cultura muito vasta”, revela Pedro Calais.
Antes do show deste sábado (26) em BH, o grupo fez uma apresentação em uma casa de shows em São Paulo, com capacidade para 8 mil pessoas, e esgotou todos os ingressos. Mesmo com a vontade de rodar o país, o amor pela capital mineira continua forte, como reforça o vocalista: “Já tivemos chance de mudar da cidade, mas BH é a nossa casa”.
O início
A banda, que começou em 2014, lançou o primeiro álbum, intitulado "Seja o Que Eu Quiser", em 2016. O projeto emplacou vários hits, como “Oi” e “Ninguém Me Ensinou”.
Em 30 de junho de 2018, o grupo, que já vinha crescendo e ganhando reconhecimento, teve uma grande surpresa. Bem no meio da Copa do Mundo, o jogador Neymar postou um stories no Instagram escutando a música “Deixa”. A banda, então, estourou de vez, colecionando vários sons em charts concorridos de plataformas de música.
Mas, para quem pensa que a banda já está satisfeita, se engana. Para o grupo, cada projeto é um novo começo e um novo desafio. “Parece que chegamos em um ponto e que estamos satisfeitos, mas do nada a nossa cabeça fica achando insatisfações e buscando coisas para a gente querer. Por isso, estamos sempre nesse movimento de querer alguma coisa, de mudar", confessa Pedro Calais.
Segundo o vocalista, foi exatamente esse sentimento que originou o grupo: “O início da banda foi muito movido por inquietação, por buscas de querer tocar fora de BH, de querer gravar uma música de uma maneira profissional, de querer ter uma música tocando na rádio, e depois que você alcança isso, você quer o dobro disso, o triplo, e nunca para. Por isso eu falo que parece que ainda é o início”.
A banda que começou sua trajetória em pequenos palcos de casas de show em BH, hoje se apresenta em grandes festivais com um público fiel.















