Em agenda de propina, Wellington Magalhães é apelidado de 'Grandão'
Anotações fornecidas em delação premiada mostram repasses de R$ 1,8 milhão ao vereador de BH, segundo nova denúncia apresentada pelo MP
Minas Gerais|Lucas Pavanelli, do R7, com Ezequiel Fagundes, da Record TV Minas
As investigações que resultaram em um novo pedido de afastamento do vereador de Belo Horizonte Wellington Magalhães (DC) pelo MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) revelaram a existência de agendas com referência a supostas propinas pagas ao ex-presidente da Câmara de Vereadores da capital mineira.
Nas anotações, fornecidas por um funcionário de uma empresa de publicidade em acordo de delação premiada, Magalhães é indicado com os codinomes "Grandão" e "G" ao lado de valores milionários que teriam sido pagos a ele.
Conforme cópias obtidas pelo MP, no dia 10 de novembro de 2015, "Grandão" aparece ao lado de um valor de R$ 400 mil, divididos em dois repasses: R$ 280 mil e R$ 120 mil. No dia 11 de dezembro daquele ano, o valor total é de R$ 500 mil, discriminados como R$ 280 mil, R$ 100 mil, R$ 20 mil e R$ 100 mil.
Já no dia 12 de maio de 2015 chamou a atenção da investigação um repasse de R$ 300 mil em referência a "adiantamento câmara". Nos meses de junho e julho, outros repasses teriam somado mais R$ 600 mil.
Somados, os repasses teriam sido de R$ 1,8 milhão em espécie. De acordo com o MP, o delator "levou uma mochila de dinheiro" à Câmara como pagamento. A denúncia também diz que Magalhães recebeu propina em bens e vantagens econômicas, como vinhos importados e pagamento de hospedagens no exterior.
Na ação de improbidade administrativa, o MPMG solicitou, além do afastamento de Magalhães do cargo, a indiponibilidade de bens do vereador e outros oito acusados no valor de R$ 9,2 milhões.
De acordo com a denúncia, Magalhães "montou dentro da estrutura interna da Câmara Municipal uma organização criminosa destinada a desviar recursos, por meio do direcionamento de licitações, superfaturamento de contratos, além da prática de diversos crimes, tais como corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro".
O vereador Wellington Magalhães também responde a uma ação na esfera criminal. Conforme Ação Civil Pública do MPMG, ele faz parte de um esquema de desvio de R$ 30 milhões da Câmara Municipal em fraudes em contratos de publicidade.