Ex-assessor diz que vereadora usou carro da Câmara em campanha

Motorista denunciou ao MP que prestava serviços particulares à família da presidente do Legislativo de BH enquanto era contratado pelo gabinete

Geraldo Assis diz que foi poucas vezes à Câmara

Geraldo Assis diz que foi poucas vezes à Câmara

Reprodução / Record TV Minas

Um ex-assessor de confiança da presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Nely Aquino (PRTB) denunciou ao Ministério Público de Minas Gerais que fez serviços particulares para a parlamentar e foi descolado de suas funções durante o período em que estava nomeado no gabinete da vereadora.

O motorista Geraldo Francisco de Assis ocupou o cargo de assessor parlamentar entre 2017 e 2019. Em entrevista ao jornalismo da Record TV Minas, ele revelou que foi poucas vezes à sede da Câmara, apesar de ser contratado pela Casa.

O homem afirma, ainda, que trabalhou como ajudante de tarefas da construção civil em imóveis pertencentes ao irmão de Nely, o ex-vereador Valdivino de Aquino.

— Ele mexe com obras e tem vários imóveis pela cidade. Eu o acompanhava nas obras. Comprava material e ajudava a descarregar o caminhão.

O ex-assessor contou que chegou a trabalhar como porteiro de um hotel na rua Guaicurus, região boêmia de Belo Horizonte, que teria como proprietário Valdivino de Aquino.

— Fiquei na portaria fazendo serviços gerais.

Em sua denúncia, Assis ainda cita que durante as eleições de 2018, ele teria viajado para diversas cidades do interior do Estado, em um veículo pago pela Câmara Municipal, para fazer campanha para Nely que concorria ao cargo de deputada estadual.

— Viajei para várias cidades, como Rio Casca e Raul Soares no carro da Câmara.

O ex-assessor de nely aquino disse que resolveu revelar as irregularidades por medo de virar alvo de um processo do Ministério Público Estadual e ser obrigado a devolver os salários.

A denúncia foi protocolada na Ouvidoria do Ministério Público Estadual. O depoimento preliminar será encaminhado a um promotor de Justiça que atua na defesa do patrimônio público da capital. O promotor vai definir se abre ou não inquérito para investigar a presidente da Câmara por ato de improbidade administrativa, que é o mau uso de recursos públicos.

Ação popular

Daniel Deslanches, advogado membro da comissão de direitos humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), diz que recebeu várias denúncias de uso indevido de veículos pela presidente da câmara. Por isto, Deslandes entrou com ação popular na Terceira Vara da Fazenda Pública pedindo ressarcimento aos cofres públicos no valor de R$ 117.840,00.

— A denúncia é que a presidente da Câmara estaria utilizando os veículos do gabinete dela para uso próprio, o que a Constituição da República e a lei municipal não autorizam.

Segundo o advogado, a vereadora alegou que usou o carro para fins particulares por segurança, mas houve uma investigação e o inquérito policial deixou claro que ela não sofria ameaças.

— A Polícia Civil fez uma investigação que concluiu que não houve a prática de ameaça contra ela. Me parece e foi a conclusão que eu tirei para ajuizar a ação popular que esta ameaça foi, na verdade, um pretexto para usar os veículos para uso próprio.

A produção da RecordTV Minas tenta há dois dias um posicionamento da vereadora Nely Aquino a respeito das denúncias, mas os pedidos de esclarecimentos não foram atendidos. Já o irmão dela, o ex-vereador Valdivino de Aquino foi procurado, mas não foi localizado.

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