Ex-assessor: vereador pagava babá e pedreiro com dinheiro da Câmara

Em depoimento, pessoas que trabalhavam no gabinete de Flávio dos Santos confirmaram que ele também usava carro oficial para transportar família

Vereador teve pedido de prisão negado

Vereador teve pedido de prisão negado

Divulgação/CMBH/Karoline Barreto

Ex-assessores do gabinete do vereador de Belo Horizonte Flávio dos Santos, foram ouvidos pelo Ministério Público nesta semana para prestar esclarecimentos sobre denúncias de rachadinha, desvio de função de assessores e uso irregular de carro oficial que envolvem o parlamentar.

Vereador mais velho da Câmara Municipal e cumprindo o primeiro mandato, ele é investigado em dois inquéritos.

Os ex-funcionários prestaram depoimentos na condição de colaboradores, quando não se pode mentir sob pena de responderem por falso testemunho.

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Em um dos inquéritos, o vereador é investigado pela prática da "rachadinha", quando o político exige parte do salário do assessor, e por supostos desvios de verbas de emendas da ex-deputada estadual Arlete Magalhães, irmã do vereador cassado Wellinton Magalhães, aliado de Flávio dos Santos.

No outro inquérito, Flávio dos Santos está sendo investigado por desvio de função de assessores, que foram lotados em seu gabinete mas prestavam serviços particulares para o vereador, de pedreiro e de babá, além de uso indevido de carro oficial, que seria usado para transportar familiares do político.

Pedreiro e babá

Em um dos depoimentos prestados no Ministério Público, um dos ex-assessores contou que foi nomeado para trabalhar no gabinete do vereador em 2019 mas que, na verdade, " só trabalhou na residência do vereador fazendo serviço de pedreiro".

Segundo o denunciante, quando não havia trabalho na casa do vereador "ele mandava ir para a Câmara (...) só para as pessoas verem que trabalhava na Câmara".

Outro ex-assessor ouvido pelo MP disse que uma funcionária lotada no gabinete "trabalhava, na maior parte do tempo na casa do vereador como babá de sua filha". 

O denunciante, que trabalhou no gabinete entre 2017 e 2019 também denunciou outras irregularidades, como o uso irregular de carro oficial custeado pelo Legislativo. "O vereador utilizava o veículo oficial para levar a esposa para fazer hemodiálise e a irmã emum um shopping no centro da cidade, onde ela trabalhava. Levava a filha para a escola e shoppings para fazer compras".

Já uma ex-chefe de gabinete do vereador falou sobre a prática da rachadinha do salário. Ela disse que foi exonerada porque não aceitou participar do esquema.

Prisão

No inquérito que investiga a prática de "rachadinha", a Justiça negu pedido de prisão feito pelo MP, que recorreu e aguarda nova decisão. Na Câmara, os colegas de Flávio dos Santos rejeitaram pedido de abertura do processo de cassação do mandato do parlamentar. Ao todo, 20 vereadores votaram a favor da abertura, mas eram  necessários 21 votos para iniciar o processo de investigação das denúncias.

Resposta

Em nota, o gabinete do vereador Flávio dos Santos informou que "ele não é processado e que as denúncias são infundadas, fruto de vingança de adversários políticos e de interesses que fogem da ética e da moralidade". Por fim, a nota diz que os inquéritos correm em segredo de Justiça.