Minas Gerais Funcionário agredido em hospital tem medo de voltar ao trabalho

Funcionário agredido em hospital tem medo de voltar ao trabalho

Auxiliar de manutenção do Hospital Psiquiátrico Raul Soares, em BH, foi agredido por um paciente com uma enxada; família denuncia descaso

O funcionário do Hospital Psiquiátrico Raul Soares, que foi agredido por um paciente com uma enxada, no início do mês, afirma que tem medo de voltar ao trabalho;.

José Júlio Rodrigues, de 60 anos, se recupera em casa. Ele ficou internado por cerca de uma semana e quase perdeu um dos dedos das mãos. Apesar da gravidade das agressões, ele não precisou passar por nenhuma cirurgia. No entanto, as pancadas levadas no rosto deixaram sequelas na mandíbula do auxiliar de manutenção, que tem tido dificuldades para se alimentar.

Além dos efeitos no maxilar, os familiares temem que ele tenha alguma sequela no olho direito, que também foi atingido pela enxada. A vítima deve passar passar por exames oftalmológicos nos próximos dias, que devem avaliar se Rodrigues corre algum risco de ter a visão afetada.

José Rodrigues ficou internado por quase uma semana

José Rodrigues ficou internado por quase uma semana

Reprodução / Record TV Minas

Denúncias

A família de José Júlio Rodrigues reclama da falta de assistência da Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais), responsável pelo Hospital Raul Soares.

Segundo a filha da vítima, Priscila Pereira, o boletim de ocorrência só pode ser registrado após Rodrigues receber alta, e o acidente de trabalho só foi comunicado na última quarta-feira (11), nove dias após a agressão. Além disso, Priscila afirma que o pai não está tendo acompanhamento.

— Eles não ligaram, não prestaram atendimento psicológico nem financeiro. Querendo ou não, essa situação mexeu com toda a família.

A segurança de funcionários de hospitais psiquiátricos é uma antiga reivindicação do Sind-Saúde (Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde), que já denunciou casos parecidos. A diretora executiva do sindicato, Neuza Freitas, afirma que é comum ver pacientes andando livremente pelos pátios, sem o acompanhamento adequado.

Filha afirma que vítima não recebe assistência da Fhemig

Filha afirma que vítima não recebe assistência da Fhemig

Reprodução / Record TV Minas

— Isso é recorrente, e agora a situação está pior, pois o Hospital Galba Velloso está fechado e o Raul Soares ficou superlotado. Já denunciamos em todas as esferas, mas os trabalhadores continuam sendo agredidos e nenhuma providência é tomada.

José Júlio Rodrigues afirma que o trauma físico passa, mas o trauma mental é eterno, e a situação que ele passou deve ficar marcada na memória para sempre. A vítima afirma que não se sente segura para voltar ao trabalho.

— Eu posso até voltar, mas depende da segurança do hospital. Se fosse hoje, eu não voltaria. Prefiro esperar um pouco.

Outro lado

Em nota, a Fhemig afirmou que a agressão sofrida por José Rodrigues foi um caso isolado e que está tomando as medidas necessárias para garantir a assistência e segurança aos servidores. A Fundação Hospitalar disse ainda que o servidor será encaminhado ao programa de atendimento e acompanhamento a vítimas de agressão no local de trabalho para receber o acolhimento necessário.

Relembre o caso

No dia 2 de novembro, José Júlio Rodrigues estava trabalhando na manutenção de um equipamento no Instituto Raul Soares, no bairro Santa Efigênia, na região Leste de Belo Horizonte, quando foi surpreendido por um paciente, que deu golpes de enxada na cabeça e nas mãos da vítima, além de roubar o dinheiro que estava na carteira do funcionário.

Últimas