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‘Gastei meu salário’, diz pedreiro que saiu do Maranhão para conhecer mineira feita por IA

Homem, de 46 anos, conta que acreditou que se tratava de uma pessoa de verdade ao vê-la em um perfil nas redes sociais

Minas Gerais|Arnon Gonçalves e Cler Santos, do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Pedreiro do Maranhão viajou para Minas Gerais para conhecer mulher criada por inteligência artificial.
  • Ele gastou todo o salário na viagem, acreditando que a mulher era real e morava em uma fazenda mineira.
  • Ao chegar em Belo Horizonte, descobriu que foi enganado e recebeu ajuda da Prefeitura para retornar.
  • Especialistas alertam sobre golpes em redes sociais com perfis de IA, que atraem vítimas com promessas falsas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mulher foi criada por Inteligência Artifical Reprodução/ACERVO PESSOAL

Um pedreiro, de 49 anos, teve uma surpresa ao sair do Maranhão para conhecer a amada, em Minas Gerais. Até então, ele só havia visto a mulher por vídeos publicados nas redes sociais, onde ela convidada os seguidores para irem morar com ela, com tudo pago. Ao chegar em Belo Horizonte, na capital mineira, se assustou: a mulher era, na verdade, feita por inteligência artificial.

O homem conta que gastou todo o salário para fazer a viagem e até chegou a procurar a suposta mineira na cidade, mas nem sinal dela. Foi só durante as buscas que ele foi alertado por outras pessoas de que as imagens publicadas pela suposta “amada” eram falsas.

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Conheceu nas redes sociais

O pedreiro conta que conheceu a mulher nas redes sociais. No perfil, vídeos criados por inteligência artificial mostram uma mineira em uma zona rural, com fundos que simulam uma fazenda, gado e até celeiros. Nas falas, ela conta que mora em Minas Gerais, que está em busca de alguém e pede para que a pessoa venha ao encontro dela, sem citar em qual cidade exatamente mora. “Eu vou sustentar você, se você vier morar comigo aqui no interior de Minas”, diz ela em um dos vídeos.

O perfil tem mais de 300 mil seguidores, com muitos comentários, e traz um realismo muito grande na forma como se comunica e interage com as possíveis vítimas. O pedreiro disse que por estar sozinho há um tempo, e querer construir um relacionamento, acreditou nos vídeos e decidiu fazer a viagem para conhecer a mulher. Mesmo sem saber o suposto endereço dela, resolveu viajar para Belo Horizonte, a 2 mil km de distância, onde imaginou que ela poderia estar. “Vim porque me deu a curiosidade de conhecer a pessoa que estava mandando mensagem pra mim, pra ver se era verdade mesmo”, conta.

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Na capital mineira, ele foi em vários lugares procurando quem pudesse ajudá-lo a encontrar a tal mulher. Na cidade, ele foi alertado por outras pessoas de que possivelmente havia sido enganado. “A gente pode até desconfiar, mas quando a pessoa está na solidão, na tristeza, a gente acaba acreditando”, desabafa.

Era ‘fake’

Após cair a ficha de que a mulher não existia, e com pouco dinheiro no bolso, o pedreiro foi orientado a procurar a Prefeitura de Belo Horizonte, onde foi acolhido. Na unidade, ele relatou tudo que tinha acontecido e foi alertado sobre a prática de golpes em redes sociais. A Prefeitura também ajudou para que ele pudesse retornar ao estado de origem. “Estou indo embora e não encontrei ninguém. Gastei meu salário para vir. Fiquem alerta pessoal. Não entrem nessa”, completa o pedreiro.

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Nos vídeos, a mulher chega a pedir para que as pessoas mandem a chave PIX, alegando que irá enviar um dinheiro para que elas possam vir ao encontro dela. O pedreiro conta que não fez isso, e que o único prejuízo que teve foi o da viagem. Mas, ainda não se sabe se mais alguém acreditou no perfil e nem quem administra a página.

Alerta

Marcos Flávio, professor e especialista em inteligência artificial, explica que esse tipo de vídeo já é criado pensando em atingir um determinado público. “Normalmente esses perfis são feito com vídeos que tentam comunicar com o público, mas de uma forma muito artificial. Tentam atingir vários públicos, mas são muito voltados para idosos. Por isso que acabam sendo utilizados para golpe. O idoso acha que está falando com ele, por ter aquele estilo personalizado para esse público. Da pra ver alguns sinais de que é uma coisa irreal, mas infelizmente muita gente cai”.

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O especialista conta que não só idosos podem ser enganadas pelor vídeos assim: “Pessoas mais carentes, que não entendem muito de tecnologia, não sabem diferenciar se é um vídeo falso ou não. E o que dá mais confiabilidade é que eles [as vítimas] mandam mensagem para o perfil e eles recebem uma resposta na hora, as vezes até personalizada. E isso passa uma impressão de que eles estão conversando com uma pessoa real. E muitas vezes não é uma pessoa real que está por trás, é um chat bot, uma inteligência artificial”.

Uma dúvida que fica para muitas pessoas é o que as pessoas por trás desses perfis ganham com isso. No caso do pedreiro do Maranhão, a mulher que aparece nos vídeos não pede dinheiro, mas divulga produtos. “Esses perfis são feitos para monetizar de diversas formas. Hoje é muito comum as pessoas criarem perfis de IA para ganhar seguidores e depois revender o perfil, ou para anunciar produtos. E muitos usam até deep fakes, usando vídeos com rostos de pessoas famosas, para tentar atrair outros idosos e fingir que são reais”, explica Flávio.

Por isso, ao se deparar com um vídeo suspeito nas redes sociais é importante ficar atento a alguns sinais, como explica o especialista: “Do lado tecnológico, hoje os vídeos são bem artificiais, as vozes são parecidas, a iluminação é estranha. Mas infelizmente a tecnologia está avançando muito rápido, então não dá mais para olhar só por esse lado. É bom olhar se você uma manda mensagem e recebe uma resposta muito rapidamente, e a pessoa já questionando ou pedindo alguma coisa, e também pesquisar sobre a pessoa antes de tomar alguma decisão”, completa Flávio.

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