Jovem morre após suposta overdose e família descobre em velório que ele pode ter sido assassinado
Velório ocorria na Grande BH, quando a família recebeu um vídeo em que Caique Vitor, de 16 anos, aparece sendo espancado
Minas Gerais|Arnon Gonçalves, do R7 e Rosildo Mendes, da Record Minas
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A família de Caique Vitor, de 16 anos, se despedia do jovem, que havia morrido com suspeita de overdose, quando, ainda no velório, descobriram algo que mudaria completamente a história sobre a morte do adolescente.
Eles receberam um vídeo em que Caique aparece sendo espancado por “amigos” em uma rua, pouco antes da morte. Agora, a família cobra uma investigação e pede por justiça.
Surpresa no velório
Familiares contam que tudo começou na última segunda-feira (21), quando receberam a notícia de que Caique estava caído, desacordado, em uma rua próxima a casa onde moram, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Ao chegar ao local, pessoas que estavam por lá e diziam ser amigas do jovem teriam contado que ele sofreu uma overdose após utilizar uma grande quantidade de drogas e que teria caído, se machucando na queda.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado e esteve no local. A equipe ainda tentou reanimar Caique, mas sem sucesso. Mais tarde os peritos informaram que encontraram marcas de ferimentos nas costas e no pescoço do jovem, mas a família entendeu que poderia ter sido por causa da suposta queda.
Segundo Luana de Paula, prima de Caique, no dia seguinte eles realizaram o velório para se despedir do adolescente, mas tiveram uma grande surpresa. Outros amigos dele chegaram e relataram que tinham um vídeo que mostrava Caique sendo espancado pouco antes da morte.
“Nós chegamos no velório e recebemos um vídeo mostrando que ele não estava sozinho, que ele estava acompanhado, e que ele não só caiu, machucou, bateu a cabeça e morreu. Não morreu de overdose”, relata a prima.
Flagrante do espancamento
No vídeo, que é um circuito de câmera de segurança, Caique aparece na rua com algumas pessoas, pouco depois um grupo de meninos se aproximam e eles parecem conversar. Em seguida começam as agressões.
Testemunhas relataram que o jovem foi agredido com pedaços de madeira. Nas imagens é possível ver que ele também leva chutes e alguns socos. Depois, aparentemente desacordado, ele é arrastado pela via.
Veja o flagrante:
Luana conta que, assim que a família assistiu ao vídeo, saíram do velório e foram direto para um batalhão da Polícia Militar (PM), para registrar um boletim de ocorrência.
“Não esperávamos. Daquelas pessoas [que aparecem no vídeo] uma é próxima, e ficamos bem chateados com isso. Nós sabemos quem são. Quando recebemos a gravação completa do vídeo tivemos a certeza antes de acusar. Não podemos apontar dedo sem ter certeza, mas agora sabemos quem fez”, conta a prima de Caique.
Leonice Eustáquio, a avó de Caique, conta que o jovem perdeu a mãe para o câncer a cerca de três anos e desde então vem enfrentando problemas com as drogas. Por isso acreditaram quando disseram que ele poderia ter morrido por overdose.
Mas, segundo Leonice, Caique não costumava arrumar desentendimentos na rua e eles não entenderam o motivo dele ter sido espancado: “Era uma pessoa muito amada, todo mundo gostava muito dele, trabalhador. Teve um problema, que perdeu a mãe, virou a cabeça e entrou no mundo das drogas”.
“Não sabemos o porque dessa agressão. Amigo protege amigo, não tem condições de um amigo matar o outro. Ninguém tem o direito de tirar a vida do outro”, diz a avó.
Família pede investigação
Segundo os familiares, o laudo da necropsia ainda não saiu, então eles não tem a confirmação sobre a causa exata da morte. Mas, eles acreditam que possa sim ter sido pela forma como Caique foi agredido, como aparece nas imagens.
Agora, os familiares cobram uma investigação da polícia e pedem por justiça. “Até então a gente acreditava que ele morreu de overdose. Mas a gente viu que não, que ele foi espancado até morrer. A gente pede justiça, que isso não fique impune. Estou desolada. Estou sentindo muita dor. Estou em estado de choque, a base de remédio”, relata a avó.
Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que aguarda a conclusão dos laudos periciais que poderão apontar as circunstâncias e causas da morte. Também disseram que outras informações só serão divulgadas em momento oportuno.
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