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Justiça da Inglaterra nega recurso de mineradora e mantém condenação pelo desastre de Mariana (MG)

Processo avança agora para as próximas fases, que irão analisar perdas e compensações devidas a indivíduos e municípios afetados

Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Justiça da Inglaterra nega recurso da BHP, mantendo condenação pelo desastre de Mariana.
  • Rompimento da barragem em 2015 é o maior desastre ambiental do Brasil, afetando 620 mil pessoas.
  • Decisão reforça a responsabilização da mineradora e avança para análise de perdas e compensações.
  • Próxima fase do julgamento está prevista para outubro de 2026, enquanto BHP ainda pode tentar novo recurso.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Tribunal concluiu que rompimento da barragem ocorreu em razão de negligência, imprudência e/ou imperícia Foto/Antonio Cruz/ Agência Brasil

O Tribunal Superior da Inglaterra negou, nesta segunda-feira (19), o pedido da BHP para recorrer da decisão histórica que reconheceu a responsabilidade da mineradora pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em 2015. O colapso é considerado o maior desastre ambiental da história do Brasil e afetou mais de 620 mil pessoas.

A decisão foi proferida pela juíza Mrs. Justice O’Farrell, que concluiu que os argumentos apresentados pela empresa “não têm nenhuma perspectiva real de sucesso”. Com isso, fica mantido o entendimento adotado em primeira instância, que atribuiu à mineradora responsabilidade objetiva e por culpa, nos termos do direito brasileiro.

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Em novembro do ano passado, após um julgamento de cinco meses, o Tribunal havia concluído que o rompimento da barragem ocorreu em razão de negligência, imprudência e/ou imperícia da BHP, além de reconhecer que todas as ações foram ajuizadas dentro do prazo legal e que municípios brasileiros podem prosseguir com suas demandas na Justiça inglesa.

Na decisão divulgada nesta segunda, a magistrada afirmou que, embora o caso possa despertar interesse em outras jurisdições, trata-se de uma análise baseada em questões de direito brasileiro já estabelecidas como fato, sustentadas por amplo conjunto de provas periciais e factuais.

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Estratégia rejeitada

Durante audiência realizada em dezembro, os atingidos, representados pelo escritório Pogust Goodhead (PG), argumentaram que a BHP tentava reverter conclusões já consolidadas, tratando divergências com o resultado como supostas falhas processuais. Segundo os advogados das vítimas, a estratégia da mineradora equivaleria, na prática, à tentativa de obter um novo julgamento, o que foi rejeitado pelo Tribunal.

Apesar da decisão, a BHP ainda dispõe de 28 dias para solicitar autorização para recorrer à Corte de Apelação da Inglaterra.

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Para Jonathan Wheeler, sócio do Pogust Goodhead e líder do caso Mariana, a negativa representa um avanço significativo no processo.“Este é um grande passo adiante. A decisão reforça a robustez das conclusões do Tribunal e aproxima centenas de milhares de autores da reparação pelo imenso dano que sofreram”, afirmou.

Segundo Wheeler, novas tentativas de recurso apenas prolongam o sofrimento das vítimas. “Cada manobra processual significa mais atraso, mais custos e mais prejuízos para pessoas que esperam há mais de uma década por uma indenização adequada”, disse.

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Moradora de Bento Rodrigues, distrito de Mariana destruído pela avalanche de rejeitos, Mônica dos Santos classificou a decisão como uma “vitória importante”.“Dez anos se passaram desde o crime, e mais de 80 moradores morreram sem receber suas novas casas. É inaceitável que, depois de tanto sofrimento, a empresa ainda tente escapar da responsabilidade”, declarou.

Custas processuais

O Tribunal também determinou que os réus arquem com 90% das custas dos autores referentes à Fase 1 do julgamento, que tratou da responsabilidade pelo desastre. Foi fixado ainda um pagamento antecipado de £ 43 milhões, valor que poderá ser revisto após apuração detalhada.

A magistrada esclareceu que a ordem se limita às custas da Fase 1. As despesas totais do processo dependerão do resultado final da ação, que ainda terá novas etapas.

Com a responsabilidade da BHP confirmada, o processo avança agora para as próximas fases, que irão analisar nexo de causalidade, perdas e compensações devidas a indivíduos, comunidades, empresas e municípios afetados. O início do julgamento da Fase 2 está previsto para outubro de 2026.

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