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MG: 'Descaso', diz mãe de crianças deixadas fora de consultório

Médica foi afastada pela Prefeitura de Santa Luzia após repercussão das imagens; mãe registrou boletim de ocorrência

Minas Gerais|Vinícius Araújo, da Record TV Minas

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Laís com os filhos, Pietro e Bernardo
Laís com os filhos, Pietro e Bernardo

A mãe das crianças que foram supostamente impedidas de entrar ao mesmo tempo em um consultório por uma médica registrou um boletim de ocorrência. Após a repercussão do caso, a profissional da UPA (unidade de pronto atendimento) São Benedito, em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, foi exonerada nesta quarta-feira (5).

Laís Teixeira, mãe de Pietro, de 3 anos, e Bernardo, de 2, contou que, desde a semana passada, os meninos apresentavam sintomas de uma síndrome conhecida como mão-pé-boca. Como a medicação indicada parecia não estar fazendo efeito, ela decidiu procurar novamente uma unidade de saúde.


A mãe havia chegado ao local durante a tarde da terça-feira (4). Depois de esperar por cerca de cinco horas, já à noite, ela conseguiu atendimento, e foi aí que a suposta negligência aconteceu.

“Quando eu cheguei lá, ela me disse assim: 'Ô, mãezinha, tem como você pôr um dos dois do lado de fora? Porque eu atendo só um de cada vez, não tem como atender os dois'. Ela disse que os meninos iriam tirar a atenção dela”, afirmou Laís.


Como a médica só aceitou atender uma criança de cada vez, primeiro, Laís teve que deixar o caçula com uma desconhecida, que também aguardava atendimento. Depois, o filho mais velho ficou na entrada do consultório, sozinho. A cena do menino na entrada foi registrada em vídeo por outro usuário da unidade de saúde e divulgada nas redes sociais.

 "Sem dó nenhum"


“Fiquei muito angustiada. Só que, quando eu vi meus filhos passando muito mal, preferi deixar que fossem atendidos da forma dela, para que a saúde deles melhorasse rápido. Já tinha muito tempo que eu estava esperando, e eles caindo de febre, eu não podia esperar mais”, afirmou a mãe.

Segundo Laís, o filho mais novo ficou chorando do lado de fora, e, quando entrou no consultório, a médica achou estranho ele estar assustado. ”Lá dentro, ela perguntou, muito cínica, ao bebezinho mais novo, por que ele estava chorando. Sem dó nenhum, e é um descaso, isso não se faz. Se eu tenho dois filhos, meus filhos têm que entrar comigo.”


O que diz a prefeitura

Depois de toda a repercussão da imagem, a Prefeitura de Santa Luzia decidiu exonerar a médica, que trabalhava havia pelo menos 15 anos na unidade de saúde. Laís recebeu um telefonema com um pedido de desculpas, e o caso foi repassado ao Conselho Regional de Medicina, que prometeu investigar a conduta da profissional (confira a nota abaixo)

"Se ninguém tivesse filmado, poderia ter acontecido com outras crianças lá dentro, e ninguém merece passar por isso, é muito triste", afirmou a mãe sobre o ocorrido.

O prefeito da cidade, Christiano Xavier (PSD), considerou a cena um "absurdo". Ele definiu a ação da médica como "uma atitude que a gente repudia de forma veemente na nossa prefeitura". 

A pediatra ainda não se manifestou sobre o fato, mas, de acordo com a administração municipal, afirmou à coordenação que a decisão de deixar os meninos do lado de fora foi mesmo dela. Outro médico deve ocupar o lugar da profissional nos próximos plantões.

Veja o posicionamento do CRM-MG:

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais informa que tomou conhecimento por meio da imprensa da acusação sobre atendimento médico na UPA do bairro São Benedito, em Santa Luzia, em 05 de janeiro de 2022, e que adotou os procedimentos regulamentares necessários à apuração dos fatos, tendo o profissional acusado amplo direito de defesa e ao contraditório. Em conformidade com o Código de Processo Ético Profissional, todos os procedimentos do CRM-MG tramitam em sigilo.

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