Minas Gerais MG exonera suspeitos de driblar investigação dos fura-filas

MG exonera suspeitos de driblar investigação dos fura-filas

Chefe de gabinete e assessor da Saúde teriam combinado troca no regime de trabalho de servidores vacinados para evitar exposição

  • Minas Gerais | Pablo Nascimento, do R7

João Pinho teria falado sobre o plano em reunião

João Pinho teria falado sobre o plano em reunião

Reprodução / Facebook

O Governo de Minas Gerais informou, na noite desta quinta-feira (23), que vai exonerar os dois servidores suspeitos de driblar as investigações sobre possível fura-filas na Secretaria de Saúde.

São eles o chefe de gabinete da pasta, João Pinho, e o assessor-chefe de comunicação da Saúde, Everton Souza.

Eles teriam acordado com dois servidores vacinados contra a covid-19 que a dupla iria deixar o teletrabalho para evitar "exposição". A gravação de uma suposta reunião entre o grupo para tratar do assunto indica que Pinho teria sugerido a estratégia para evitar questionamentos dos órgãos que investigam o caso. O chefe de gabinete ainda relata que iria avaliar a mudança de um resolução da pasta que trata sobre o regime de trabalho para evitar os questionamentos.

Segundo o Governo de Minas, a exoneração dos dois servidores será divulgada no Diário Oficial do Estado, nesta sexta-feira (23). Souza assimiu a coordenação da comunicação da Secretaria da Saúde em março deste ano após a então assessora-chefe ser exonerada. Ela está na lista investigada de servidores vacinados.

"O Governo de Minas reitera seu compromisso com a transparência e reafirma que todas as denúncias relativas ao processo de vacinação de servidores são apuradas por órgãos de controle, com total colaboração do Governo Estadual", informou a equipe de Zema em nota.

Gravação

No áudio, um homem que se apresenta como o chefe de gabinete explica que a preocupação surgiu enquanto respondia um ofício sobre as investigações do possível caso de fura-filas, revelado pelo R7, em fevereiro deste ano. Não fica claro na gravação se a resposta seria enviada à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Assembleia de Minas ou ao Ministério Público Estadual, que apuram as denúncias.

[A resposta] "fala que dois trabalhadores mantêm regime de teletrabalho. Ela tenta explicar que é de forma escalonada, por vezes presencial, mas a minha opinião, quando leio isso no cenário que vivemos, acho que tem uma chance muito grande de vocês dois serem expostos por causa da forma como está colocado aqui", diz a voz atribuida ao chefe de gabinete.

Em outro trecho ele completa: "eu acho que vocês não mudarem o regime para presencial, por mais que tenha o Memorando 7 e a Resolução 7229 não ajuda vocês. Acho que a Josely [promotora Josely Ramos Pontes] e a Controladoria [Geral do Estado] podem pegar para falar ainda mais que a gente estava desorganizado".

Procurada a CPI dos Fura-Filas, que investiga o caso na Assembleia de Minas, informou que vai convocar os envolvidos na reunião para prestarem esclarecimentos na condição de investigados.

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