Mineira desenvolve síndrome de Guillain-Barré após usar caneta emagrecedora vendida de forma ilegal
Mulher está internada em estado grave desde dezembro, em Belo Horizonte
Minas Gerais|Nalu Saad, da RECORD Minas
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Uma mulher de 42 anos, moradora de Belo Horizonte, foi diagnosticada com a Síndrome de Guillain Barré após desenvolver complicações graves relacionadas ao uso de uma caneta emagrecedora vendida de forma ilegal. De acordo uma das filhas da vítima, a mulher está internada desde dezembro em estado grave, no Hospital das Clínicas, região Centro-Sul da capital. A paciente, a auxiliar administrativa Kellen Oliveira Bretas Antunes, teria utilizado o medicamento, vindo do Paraguai, sem prescrição médica.
Guillain-Barré
Segundo o Ministério da Saúde, a síndrome de Guillain-Barré é um distúrbio autoimune em que o sistema imunológico do próprio corpo ataca parte do sistema nervoso, que são os nervos que conectam o cérebro com outras partes do corpo. Ainda segundo o Ministério, a doença é provocada por um processo infeccioso anterior e manifesta fraqueza muscular, com redução ou ausência de reflexos.
Internação
Segundo familiares, Kellen deu entrada no hospital com dor abdominal, mas o quadro evoluiu rapidamente para problemas neurológicos. Ela teve comprometimento na musculatura e nos movimentos do corpo, além da fala e do funcionamento de órgãos. Durante a internação, a paciente apresentou urina avermelhada e fraqueza muscular, sinais que levantaram alerta para um possível quadro de intoxicação grave.
Em nota, a Anvisa informou que a fiscalização de clínicas e estabelecimentos de saúde cabe à Vigilância Sanitária municipal. A Prefeitura de Belo Horizonte explicou que, ao identificar irregularidades na venda ou na aplicação de medicamentos, a Vigilância apreende os produtos, aplica multas e pode interditar os locais. Durante as ações, são avaliadas a procedência, a autenticidade dos medicamentos, as condições de armazenamento e a habilitação do estabelecimento.
Proibição Anvisa
No mesmo dia em que o caso veio a público, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão e a proibição imediata da fabricação, importação, comercialização, distribuição, propaganda e uso da tirzepatida das marcas Synedica e TG, conhecidas como “canetas emagrecedoras do Paraguai”. Os produtos vinham sendo anunciados e vendidos no Brasil sem qualquer tipo de registro sanitário.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (21), por meio da Resolução-RE nº 214/2026, que também incluiu na proibição a substância retatrutida, de todas as marcas. Segundo a Anvisa, os medicamentos eram fabricados por empresa desconhecida e divulgados em redes sociais, em desacordo com a legislação sanitária brasileira. A agência alerta que, sem registro, não há garantia sobre a procedência, a composição, a dose nem a eficácia do produto, além do risco de o paciente estar utilizando uma substância diferente da informada no rótulo.
Atualmente, estão autorizados para uso no Brasil medicamentos à base de semaglutida (como Ozempic e Wegovy), liraglutida (Saxenda, Lirux e Olire) e tirzepatida (Mounjaro e Zepbound). Fora dessa lista, qualquer produto comercializado como “caneta emagrecedora” é considerado irregular.
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