Moradora de prédio de BH recebe cartas ameaçando seus cachorros

Advogada afirma que carta traz ameaças de envenenamento e que ela "deve se preparar para o pior"; especialista indica que mulher procure a polícia

Cartas anônimas enviadas a uma advogada que mora no bairro Buritis, na região Oeste de Belo Horizonte, trazem ameaças aos seus cachorros.

Ana Amélia tem quatro cadelas da raça border collie. A advogada afirma que já havia recebido diversas cartas de pessoas dizendo que iriam denunciá-la para a Sociedade Protetora dos Animais, mas, as duas últimas cartas trazem ameaças às vidas dos cachorros.

Na folha de papel colocada em sua caixa de correio, o anônimo afirma que esse seria o “último aviso” e que ela “deveria se preparar para o pior”. O texto termina com as seguintes frases: “os seus queridos cachorros vão começar a receber uns presentinhos deliciosos pela janela da varanda ou no chão da garagem. Infelizmente eles vão pagar pela falta de respeito de vocês”.

Advogada tem 4 cães da raça border collie

Advogada tem 4 cães da raça border collie

Reprodução / Record TV Minas

Medo

A advogada conta que, desde então, tem vivido apavorada e angustiada. O autor da ameaça não foi identificado e, por isso, ela não registrou um boletim de ocorrência. Apesar disso, a especialista em Direito Ambiental Andreia Bonifácio afirma que a advogada deve comunicar essas ameaças à polícia.

— O ato não configura crime, já que os animais não foram maltratados. Mas ela precisa registrar um boletim para, caso aconteça alguma coisa, as autoridades já estejam cientes das ameaças.

Veja: Polícia investiga morte de 27 animais por envenenamento

O conteúdo da carta repercutiu entre os moradores do condomínio, que afirmam não se incomodar com a presença dos animais. No prédio, não há nenhuma proibição contra animais de estimação e, segundo especialistas, nem poderia haver, já que a Constituição iguala os animais aos bens materiais, permitindo livre circulação.

De acordo com o presidente do Sindicon (Sindicato dos Condomínios Comerciais, Residenciais e Mistos de Minas Gerais), Carlos Eduardo de Queiroz, as reclamações envolvendo animais de estimação em condomínios são frequentes e, muitas vezes, vão parar na Justiça. Apesar disso, raramente os animais são retirados.

— Na Justiça, o desgaste é bem maior, e o resultado é quase sempre nulo. O melhor é buscar uma conciliação entre as duas partes.