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Moradores do interior de MG enganam turistas com a língua própria

"Dialeto" de São João Nepomuceno confunde desavisados com palavras trocadas

Minas Gerais|Do R7, com Record Minas

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Dialeto nasceu na década de 60 e corre risco de desaparecer
Dialeto nasceu na década de 60 e corre risco de desaparecer

A 320 km de Belo Horizonte, São João Nepomuceno, na Zona da Mata, pode se passar por uma simples e pacata cidade do interior mineiro, com quase 25 mil habitantes. No entanto, os turistas que visitam a região descobrem que precisam aprender uma nova língua para conversar os moradores do lugar.

O dialeto do "Pompeu e Godê" (em tradução, "Eu e Você") foi criado pelos próprios são-joanenses. Eles usam palavras com o final parecido, mas com o significado diferente. Para dizer, por exemplo, que uma mulher é bonita, os adeptos à língua falam que a "colher" é "marmita".

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O garçom Eflam Cosme de Jesus, de 58 anos, aprendeu os novos verbetes com o pai. Aos 10 anos, ele já dominava o dialeto do Pompeu e enganava os turistas que passavam pelo local. Ele conta que o código era bastante usado para falar mal de quem estivesse por perto.

— É uma maneira de se comentar sobre tudo o que se passava ao redor e quem não soubesse ficava perdido. A pessoa não ia perceber o que a gente estava falando.

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Ninguém sabe ao certo onde ou como surgiu o dialeto, mas a suspeita é de que a população começou a adotar os novos sinônimos no final do século 20, na cidade do interior. De acordo com o secretário municipal de cultura, Léo Márcio, o Pompeu e Godê nasceu entre a classe popular na década de 60.

— Acredita-se que a língua do Pompeu tenho surgido dentro da prisão, para que os presos pudessem ludibriar os guardas. Uma outra linhas diz que surgiu através do engraxates.

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Os moradores de São João Nepomuceno também criaram uma contagem no dialeto, com palavras que terminam com a sonoridade parecida com os números: mutum (1), arroz (2), inglês (3), carrapato (4), brinco (5), francês (6), basquete (7), biscoito (8), automóvel (9) e Moisés (10).

O Pompeu está em risco de desaparecer, já que os jovens da região não se interessam tanto pelo dialeto quanto os pais. A fundação cultural da cidade já anunciou que, para preservar o vocabulário local, vai criar um audiolivro com a história do Pompeu e Godê.

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