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Motorista morto por delegado não acelerou caminhão durante briga de trânsito, diz laudo

Agente havia alegado que atirou na vítima após o condutor do caminhão não obedecer a ordem de parada e tentar fugir do local

Minas Gerais|Pablo Nascimento e Antonio Paulo, da Record TV Minas

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Delegado disse que o motorista desobedeceu a ordem de parada
Delegado disse que o motorista desobedeceu a ordem de parada

Um laudo pericial mostrou que o motorista de caminhão morto por um delegado durante uma briga de trânsito em Belo Horizonte não acelerou o veículo após a batida, conforme havia alegado o agente envolvido na ocorrência.

A reportagem teve acesso ao relatório da perícia da Polícia Civil. O documento revela que, após parar, o caminhão permaneceu nessa condição, mas ainda ligado durante cinco segundos. Em seguida, ele "sofreu um pequeno deslocamento ('tranco'), sem que este tenha sido acompanhado pelo aumento da rotação do motor".

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"O pequeno deslocamento citado anteriormente, no qual foi registrada a velocidade de 1 km/h sem que se tenha percebido um aumento da rotação do motor, é uma situação normalmente registrada pelo tacógrafo quando ocorre um "tranco" no veículo, originado pela retirada brusca do pé do condutor do pedal da embreagem com o veículo engrenado", diz trecho do laudo. "O veículo, após esse pequeno deslocamento, permaneceu imobilizado até a chegada da perícia", completou.

Os peritos também constataram que o caminhão trafegava a 31 km/h quando começou a desacelerar, no momento da confusão. De acordo com o laudo pericial, o caminhão de Anderson Cândido se manteve parado após ocorrer a desaceleração. A chave estava na ignição, mas o motor, desligado. Para manter o caminhão parado, Anderson utilizou o freio de câmbio, engatado na primeira marcha.

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Segundo o laudo, o caminhão bateu na traseira do carro em que o delegado estava, mas "não foram verificados no local elementos técnicos suficientes para definir a região exata da pista na qual ocorreu o choque entre os autos, assim como não foi possível determinar sob qual circunstância a referida colisão ocorreu".

A reportagem tenta contato com a defesa do delegado preso. A Polícia Civil ainda não comentou oficialmente o laudo.

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Laudo avaliou dados dos veículos envolvidos no acidente
Laudo avaliou dados dos veículos envolvidos no acidente

O caso

O crime aconteceu em julho deste ano. Anderson Cândido dirigia um caminhão-reboque quando se envolveu em uma briga de trânsito com o delegado da Polícia Civil Rafael de Souza Horácio, de 42 anos.

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À polícia, o delegado alegou que o reboquista se recusou a parar após ser abordado. Ainda segundo o delegado, Anderson teria acelerado e jogado o veículo na direção dele. Nesse momento, o delegado teria atirado contra o caminhão, atingindo a vítima no pescoço.

Rafael de Souza Horácio segue preso desde o mês de julho. A defesa tentou a soltura do investigado, alegando que o agente não representa risco para a sociedade, mas os pedidos foram negados.

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