MP diz que há sinais de que a Backer sabia de vazamento em tanques

Investigadores recolheram na fábrica da cervejaria documentos que citam as possíveis falhas, na tentativa de descobrir se há relação com contaminações

MP e polícia fizeram buscas na empresa nesta manhã

MP e polícia fizeram buscas na empresa nesta manhã

Divulgação / MPMG / André Lanna

O MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) revelou, nesta terça-feira (4), que há sinais de que a cervejaria Backer tinha conhecimento sobre vazamentos de produtos químicos nos tanques de produção da fábrica, em Belo Horizonte.

A promotora de Justiça Vanessa Fusco explica que anotações do processo de produção da empresa citam “vazamento de glicol”. O MPMG e a Polícia Civil estiveram na sede da cervejaria nesta manhã para recolher as fichas que relatam o problema e, assim, esclarecer os fatos.

Mais de 1.000 documentos foram coletados. Segundo a promotora, a data de alguns deles coincide com o período em que consumidores foram intoxicados e morreram ao ingerirem cervejas da marca.

Vanessa Fusco explica, ainda, que os textos não especificam qual tipo de glicol estaria vazando. A substância, que é um anticongelante, tem versões tóxicas e não tóxicas. Perícias policiais já identificaram nas bebidas contaminadas duas que são perigosas para o corpo humano – o mono e o dietilenoglicol.

Questionada sobre a possibilidade das fichas relatarem um glicol não tóxico, a promotora descartou a possibilidade diante o histórico da investigação.

— O inquérito traz todas as notas fiscais de compras feitas pela empresa de três anos para cá e só foi identificada a compra de monoetilenoglicol. A opção da empresa é muito clara em relação ao uso da substância tóxica.

As fichas recolhidas vão passar por perícia policial e serão usadas para a promotoria decidir sobre denúncias contra os possíveis responsáveis pela intoxicação. Em junho deste ano, a Polícia Civil concluiu o primeiro inquérito do caso e pediu o indiciamento dos três sócios da cervejaria e de sete funcionários.

A promotora Vanessa Fusco ressalta, no entanto, que durante a investigação, os policiais ainda não tinham as informações relatadas nas fichas recolhidas nesta manhã. Segundo a representante do MPMG, o material só se tornou conhecido após a empresa enviá-lo ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). No entanto, a forma como os documentos foram enviados gerou dúvida nos investigadores.

— Essas fichas não foram entregues pela empresa fisicamente. Na verdade, elas foram scaneadas. Com isso, houve supressão de anotações. Há uma sensação de muita desorganização no processo produtivo. Há registro de vazamento de glicol e não sabemos em que circunstância ocorreu. Vamos investigar mais afundo para saber se isso impactou na contaminação das cervejas.

A reportagem procurou a Backer para comentar a situação relatada pelo MP, mas ainda não teve retorno.