Polícia e Ministério Público fazem buscas na sede da cervejaria Backer

Objetivo da ação é recolher documentos para as investigações sobre a contaminação de bebidas da marca; intoxicação matou ao menos 10 pessoas

Intoxicação de cervejas matou ao menos 10 pessoas

Intoxicação de cervejas matou ao menos 10 pessoas

Divulgação / MPMG / André Lanna

O MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) e a Polícia Civil cumprem, na manhã desta terça-feira (4), mandados de busca e apreensão na sede da cervejaria Backer, no bairro Olhos d'Água, na região Oeste de Belo Horizonte.

De acordo com o MP, o objetivo da operação é recolher documentos que estão na fábrica e podem ser úteis no inquérito que investiga a contaminação de bebidas da marca, que provocou a morte de ao menos 10 consumidores.

A promotora de Justiça Vanessa Fusco explica que o recolhimento do material foi necessário após um relatório do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) indicar novas irregularidades no processo produtivo da empresa.

— Estamos coletando documentos que vão ser utilizados para exame de eventual prática delituosa que pode ser, inclusive, indício de prática de novo crime.

A reportagem fez contato com a empresa para comentar a operação, mas ainda não teve retorno.

Investigações

A Polícia Civil concluiu o primeiro inquérito referente ao caso no último dia o de junho, indiciando os três sócios da cervejaria e sete funcionários por crimes relacionados à contaminação e seus desdobramentos. Um oitavo funcionário foi indiciado por falso testemunho e extorsão.

Os peritos concluíram que furos nos tanques de produção da fábrica causaram a contaminação das cervejas, principalmente a Belorizontina, com os anticongelantes monoetilenoglicol e dietilenoglicol. Havia ainda uma falha na solda dos equipamentos.

O relatório foi enviado para o Ministério Público. Agora, os promotores estão recolhendo mais informações sobre o caso para decidirem se vão denunciar ou não os possíveis responsáveis pelos problemas.

O MP atua em duas frentes no caso: a primeira é com uma ação coletiva para tentar reparar os danos causados às vítimas. Já a segunda é na esfera criminal, buscando assistência para os afetados e consumidores e a punição para os culpados.

As intoxicações se tornaram públicas em janeiros deste ano. Desde então, o professor Cristiano Mauro Assis Gomes foi o único dos ao menos 27 contaminados que conseguiu ter o tratamento financiado pela Backer, por meio de um acordo.

Um vídeo da Polícia Civil mostra os vazamentos nos tanques: