Minas Gerais MP faz buscas sobre crimes nas obras da sede do Governo de MG

MP faz buscas sobre crimes nas obras da sede do Governo de MG

Agentes cumprem mandados em empresas ligadas à construção da Cidade Administrativa, erguida quando o Estado era governado por Aécio Neves

  • Minas Gerais | Pablo Nascimento, do R7, com Núbia Roberta e Vinícius Araújo, da Record TV Minas

Cidade administrativa é sede do Governo de Minas

Cidade administrativa é sede do Governo de Minas

Divulgação / Agência Minas

O MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) cumpriu, nesta quarta-feira (23), 12 mandados de busca e apreensão referentes às investigações sobre possíveis crimes na construção da Cidade Administrativa, sede do Governo de Minas Gerais.

O inquérito apura a prática de peculato, corrupção e lavagem de dinheiro na obra erguida durante a gestão de Aécio Neves (PSDB) no Governo de Minas.

Três casas e nove empresas foram alvo das buscas. Alguns mandados também foram cumpridos nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Segundo o MPMG, algumas das empresas que foram alvos da operação teriam sido "utilizadas para fornecer recursos destinados ao pagamento de propina a agentes políticos e públicos, bem como para atuar na lavagem de dinheiro".

Ainda segundo o órgão, entre os investigados alvos da operação, estão pessoas que seriam as responsáveis pela distribuição da propina e pela lavagem do dinheiro.

Os materiais apreendidos foram encaminhados ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), onde será analisado.

Não há a informação de que endereços do agora deputado federal Aécio Neves tenham sido alvos das buscas. Procurada, a defesa do tucano disse estar surpresa com a operação.

O advogado Alberto Zacharias Toron, que acompanha o político, alegou que a construção da Cidade Administrativa foi acompanhada por uma auditoria e que não teria ocorrido superfaturamento nas obras (veja a nota abaixo).

Inquérito

A PF (Polícia Federal) concluiu em maio deste ano sua parte da investigação referente ao caso. O relatório final pediu o indiciamento de Aécio Neves e outras 11 pessoas pelos crimes de corrupção passiva e ativa, desvio de recursos públicos e falsidade ideológica.

As investigações começaram em 2017, após delações premiadas de diretores executivos e funcionários do Grupo Odebrecht, uma das nove construturas que participaram da construção da nova sede do Governo de Minas.

A Cidade Administrativa foi construída entre os anos de 2007 e 2010, em um terreno de 805.000 m², na região Norte de Belo Horizonte. São mais de 260.000 m² de área construída, com projeto do arquiteto Oscar Niemeyer.

Veja a íntegra da nota:

"A defesa do deputado Aécio Neves desconhece as razões que levaram a essa operação referente a uma obra inaugurada há mais de dez anos executada dentro do prazo e do custo previstos. 

Estranha ainda a alegada suspeita de superfaturamento uma vez que perícia realizada pela área técnica do próprio MP, em inquérito já arquivado, atestou que os preços de referência do edital da obra da Cidade Administrativa estavam abaixo da média do mercado, evidenciando a inexistência de superfaturamento.

Depois de três anos de investigações não foi apresentada nenhuma prova que vincule o Deputado Aécio Neves a qualquer ilegalidade. Ao contrário, as obras da Cidade Administrativa seguiram as melhores práticas da administração pública. O edital foi inclusive previamente apresentado ao MP e aprovado pela Advocacia Geral do Estado e pelo Tribunal de Contas do Estado.

Uma empresa independente de auditoria foi contratada, acompanhou todas as etapas da obra e os pagamentos só foram realizados após comprovação de serviços feitos por ela. Nem mesmo os aditivos financeiros permitidos por lei foram autorizados pela Codemig, empresa responsável pela obra, o que demonstra a seriedade com que a obra foi conduzida.

Diversas empresas participantes da obra atestaram a correção de todos os procedimentos . A defesa confia que a Justiça de forma isenta vai julgar pela improcedência das absurdas acusações."

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