"Não foi crime político", diz polícia sobre morte de candidato em MG
Delegada concluiu que Cássio Remis (PSDB) foi morto por "motivo fútil" após desentendimento com o então secretário de Obras da cidade de Patrocínio
Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7

A Polícia Civil concluiu, nesta terça-feira (6), que não houve motivação política no assassinato do pré-candidato a vereador de Patrocínio, a 390 km de Belo Horizonte, Cássio Remis (PSDB).
Segundo o delegado Valter André, não há sinais de que o suspeito tenha cometido o crime por medo de um possível embate com Remis nas eleições de 2020.
— Houve uma briga entre os dois naquele dia. Já havia outros problemas anteriores em que um denunciava o outro. Sempre existiu, mas a motivação foi a discussão daquele dia e as do passado.
Para a delegada Ana Beatriz de Oliveira Brugnara, a vítima foi morta por "motivo fútil" após desentendimento com o então secretário de Obras da cidade, Jorge Marra (Dem).
— A vítima estava fazendo uma denúncia quando houve a briga, mas entende-se que é totalmente desproporcional ceifar a vida de uma pessoa por este motivo.
Indiciamentos
Diante das análises, a Polícia Civil indiciou Jorge Marra pelos crimes de homicídio doloso, roubo e porte ilegal de arma de fogo. O roubo se refere ao celular que o indiciado teria pego de Remis, enquanto o pré-candidato fazia uma live para denunciar possíveis irregularidades em obras na cidade.
O motorista que acompanhava Marra no momento em que a transmissão ao vivo foi interrompida e quando os disparos foram feitos em frente à Secretaria de Obras também foi indiciado por roubo e favorecimento pessoal. Segundo os investigadores, ele não participou do assassinato.
Ainda segundo a delegada Ana Beatriz de Oliveira Brugnara, testemunhas relataram no decorrer do inquérito que Remis já teria recebido ameaças feitas por Marra.
— Temos declrações de que o suspeito teria ameaçado Remis anteriormente. Pessoas teriam ficado sabendo por meio do próprio Remis.
Ainda segundo a delegada, a equipe da cidade de Perdizes, a 355 km de Belo Horizonte, vai ficar responsável por analisar se o ex-prefeito do município, Edno José de Oliveira, conhecido como Peçonha, teria ajudado na fuga de Marra, já que o carro do suspeito foi encontrado em frente a casa dele. Na época, Oliveira alegou que o veículo foi abandonado no local, sem explicações.
Procurado, o advogado que defende Jorge Marra informou que não vai se manifestar por enquanto, já que ainda não teve acesso ao relatório do inquérito.
O crime
Remis foi assassinado enquanto tentava reaver o telefone celular que teria sido tomado por Jorge Marra minutos antes, quando o pré-candidato fazia uma live na internet.
O postulante ao cargo de vereador denunciava na transmissão ao vivo uma suposta obra que a prefeitura que iria beneficiar a instalação do comitê de campanha de Deiró Marra em uma casa na região.
O crime aconteceu em frente à sede da Secretaria de Obras. Segundo a polícia, o suspeito disparou cinco tiros contra a vítima.
Remis foi vereador de Patrocínio entre os anos de 2009 e 2016. Neste período, o político chegou a presidir a Câmara Municipal. O suspeito foi preso três dias depois e segue em um presídio da região.















