Minas Gerais Ocupação Izidora completa 5 anos sem estrutura e com briga na Justiça

Ocupação Izidora completa 5 anos sem estrutura e com briga na Justiça

O R7 Minas te leva para conhecer um pouco da realidade das famílias que vivem no assentamento em um vídeo em 360º

Ruas da comunidade não são asfaltadas

Ruas da comunidade não são asfaltadas

Ana Gomes / Portal R7

O latido dos cachorros é silenciado pelo burburinho das dezenas de moradores que chegam juntos na Ocupação da Izidora, na região norte de Belo Horizonte. O grupo passou a manhã em frente à prefeitura reivindicando serviços de saneamento básico, saúde e escola para as quase 9.000 famílias que vivem no assentamento que completou cinco anos de existência no mês de junho.

O R7 Minas acompanhou a história de uma família que vive na ocupação em um vídeo em 360º. Se você estiver assistindo pelo celular, clique aqui.

A faxineira Ana Maria Pereira de Souza, de 48 anos, chama essas manifestações de "lutas". Ela e o marido, José Adão Charles da Silva, de 54 anos, vivem na comunidade desde 2013, quando o terreno de mais de 900.000 m² começou a ser ocupado. A área equivale a 126 campos de futebol, por isso ela é dividida em quatro grandes vilas: Vitória, Rosa Leão, Esperança e Helena Greco.

A história do casal não se diferencia muito das outras famílias, que são pessoas que não conseguiam mais pagar aluguel por suas moradias. Assim, eles escolheram o lado conhecido como ocupação Vitória para montar a barraca de lona onde viveram por três anos até conseguirem construir uma casa de alvenaria, lembra Ana.

— Não tinha luz e nem água. A gente dormia no chão puro. Quando vinha chuva, as vezes a gente molhava na barraca. O banho, a gente tomava no terreiro.

Embora Ana e Silva tenham conseguido construir uma casa com condições infinitamente melhores, a falta de estrutura ainda é um problema na região. A maior parte das instalações elétricas e de água são irregulares. Além disso, a captação do esgoto ainda é substituída por fossas.

A origem do problema é a falta de regularização do terreno. Na época em que a área começou a ser ocupada, um grupo de empresários e a Prefeitura de BH reivindicaram a posse dos lotes. As famílias chegaram a receber ordens de despejo, mas conseguiram reverter a situação judicialmente. Agora, o caso é analisado no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

A prefeitura abriu mão de sua parte no terreno. No mês de abril, o prefeito Alexandre Kalil (PHS) reconheceu as ocupações Izidora e outras 115 da cidade como Aeis (Área de Especial Interesse Social), o que abre portas para uma futura urbanização dos assentamentos. No entanto, para que isso aconteça onde Ana e Silva moram, o Executivo municipal precisa da decisão do Tribunal.

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