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Pai de vítima de Brumadinho: 'Estou esperando meu filho sair do barro' 

Cerimônia no início da tarde de sexta-feira (1º) fez homenagem às vítimas da tragédia do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho

Minas Gerais|Do R7

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Bandeira nacional é hasteada em homenagem às vítimas de Brumadinho
Bandeira nacional é hasteada em homenagem às vítimas de Brumadinho

Sentado sobre um amontoado de raízes e galhos mortos, Wilson Francelino Caetano observava, imóvel, os agentes oficiais que passavam para se agruparem nos tapumes que cobriam o barro. Chegou um padre; depois, um policial civil com violão debaixo do braço.

Sobre um pequeno amontoado de terra, uma cruz foi erguida. Caixas de som colocadas sobre o entulho seco testavam os microfones, uma corneta e um violão às 12h36. Os jornalistas se aglomeraram em busca de uma melhor posição para registrar a cerimônia e a chuva de pétalas de rosas anunciada pelo Corpo de Bombeiros.

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Leia também: Velocidade de lama da barragem da Vale chegou a 80 km/h, diz bombeiro

As flores enviadas pela população de Belo Horizonte seriam lançadas por helicópteros no horário exato do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, a tragédia que, uma semana atrás, às 12h28, levaria centenas de vidas em Brumadinho.

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Caetano acendeu um pequeno cigarro de palha, com alguma atenção pregada no discurso que teve início às 12h46. Sentado, com a cabeça apoiada na mão, acompanhava tudo com algum distanciamento. Vieram, então, as canções religiosas, o violão falhava, um cantor pedia "cura, Senhor, onde eu não posso ir".

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Caetano também não podia ir. Se pudesse, já teria partido em busca do filho desaparecido, o mecânico Luiz Paulo Caetano, de 31 anos. O rapaz, que tinha acabado de se casar e não era de Brumadinho. Foi chamado pela Vale para trabalhar justamente naquela sexta-feira. Precisava consertar umas máquinas da mina do Córrego do Feijão.

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Dez helicópteros se posicionaram no céu, à espera do fim do culto e do hasteamento das bandeiras do Brasil e de Minas. Seguiram-se os protocolos militares no barro, as continências e os sopros da corneta. Caetano olhava para cima.

Às 13h09, viu as aeronaves despejarem as flores. O giro das hélices espalhou as pétalas pela baía de lama que os rejeitos da Vale abriram pelo caminho. Seis minutos depois, a cerimônia foi encerrada com aplausos e comoção generalizada. Parentes e amigos de vítimas se ajoelharam e choraram sobre a lama que ainda esconde seus parentes.

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Resgate

No céu, os helicópteros partiram para o apoio às buscas das mais de 250 pessoas que ainda não foram encontradas. Sobre a lama, os porta-vozes das autoridades reuniram os jornalistas para dizer que todas as equipes continuarão mobilizadas e não há prazo para a conclusão do trabalho.

Ninguém da Vale por ali. Os oficiais ainda ensaiaram alguma argumentação para dizer que a empresa estava apoiando os serviços, mas não disseram como. Fim das perguntas e das respostas. Todos foram embora.

Embaixo de uma das poucas árvores que restaram de pé, Caetano permanecia sentado, os olhos no barro e a palha na boca. Sentei-me ao seu lado e perguntei se ele morava por ali. "Não", disse ele. Depois de um silêncio, emendou. "Estou esperando meu filho sair do barro."

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