Pai e filho criam acessório para proteger motociclistas contra linhas com cerol em MG
Segundo os inventores, a instalação da haste é fácil e pode diminuir o número de acidentes envolvendo objetos cortantes no trânsito
Minas Gerais|Arnon Gonçalves, do R7 e Rosildo Mendes, da Record Minas
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Dois mineiros se dedicaram nos últimos cinco anos a criar uma haste com fibra de vidro que poderá diminuir o número de acidentes envolvendo linhas de cerol e outros objetos cortantes no trânsito. O acessório é bem fácil de instalar nas motos, e poderá ser um grande aliado dos motociclistas e também de passageiros.
A ideia surgiu após um dos criadores ficar sabendo da morte de um motociclista, que havia acabado de comprar a moto e foi atingido por uma linha cortante, que tirou sua vida. Ali, pai e filho viram um caminho para seguir e tentar ajudar a evitar que situações como essa se repetissem.
Um dos diferenciais do equipamento é a versatilidade: a haste pode ser utilizada com ou sem o báu, na parte traseira da moto, sem interferir no uso do veículo. O projeto já teve o registro realizado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Como surgiu a ideia
Demétrio da Silva e o filho, Ender, contam que a ideia surgiu de uma experiência do dia a dia e também observando casos já registrados de acidentes envolvendo as conhecidas “linhas chilenas” e linhas com cerol, que contém produtos modificados e podem cortar facilmente.
Além disso, um episódio em particular mexeu com o inventor e o motivou ainda mais para se dedicar ao projeto. “Uma condição que eu vi que mexeu muito comigo foi um rapaz que comprou a moto, saiu de casa, abasteceu e ia para um local para comprar uma antena de proteção naquele pedaço que ele ia comprar essa haste, a linha de serol encontrou ele e ele perdeu a vida. Então, protegendo as pessoas, vai nos deixar muito felizes”.
Mas, o período de desenvolvimento não foi fácil. Eles precisavam de um material que não representasse novos riscos para quem estivesse utilizando. “Exigiu bastante teste, porque quando a pessoa usa a haste, ela está andando nas ruas. Se ela usar uma haste, por exemplo, que for condutora, ela pode tomar um choque, quando encontrar um fio desencapado ou coisa parecida. Ou, então, um dia chuvoso, uma pessoa que tiver com uma haste maior na sua moto, ele pode, então, atrair raio. O que nós pensamos? Vamos usar um material que não seja condutor. E chegamos à melhor conclusão que a fibra de vidro ia resolver esse problema”.
Diferença de outras antenas
Demétrio conta que as antenas que já existem no mercado tem um ponto cego, que a torna pouco eficaz. “A antena hoje usada no mercado, ela tem um ponto cego nela, um ponto perigoso. Vamos chamar assim de calcanhar de Aquiles. Por quê? Entre a antena e o piloto existe um certo espaço. E se a pessoa estiver pilotando e a linha cai justamente nesse ponto? Então, precisava haver uma proteção”.
Além disso, ele explica que a haste criada por eles, pelo formato, consegue proteger não só quem está na condução da moto como também quem está no banco de garupa: “a pessoa que estiver acompanhando vai ter a mesma proteção”.
Outra dúvida com a qual os criadores da haste precisaram lidar era com a questão de limitações para alterar ou impletar acessórios em motos, já que isso pode representar um perigo tanto para o motociclista quanto para outros condutores. Sobre isso, Demétrio conta que já durante o processo de registro no INPI, procuraram também uma empresa especializada nesse tipo de análise de segurança, além da aprovação do DETRAN.
“Nós temos esses desenhos técnicos mostrando onde ia ser instalado na moto, não pode ser instalado onde tampa a placa. Não podia também ser larga demais, que senão o condutor pode agarrar isso em algum lugar. Então, esse pessoal que trabalha nessa área, que vai fazer o registro do INPI, já deu uma olhada para a gente”, explica o mineiro.
Fácil instalação
A instalação também foi pensada para ser simples e prática. As peças serão disponibilizadas pré-montadas, facilitando o uso pelo cliente. O produto poderá ser enviado para qualquer região do país, por meio dos Correios ou de transportadoras, de acordo com a preferência do comprador.
A comercialização, que deve começar oficialmente daqui a 15 dias, será realizada diretamente pelos responsáveis pelo projeto, por meio de telefone de contato e plataformas de venda, entre outros canais.
O acessório pode ajudar mesmo?
O especialista em trânsito, Aguimar Bento Teodoro, professor da Universidade Federal de Ciência e Inovação de Minas Gerais, explica que o motociclista está cada vez mais presente no trânsito das grandes cidades. E, além da moto ser um meio de transporte, também se tornou um instrumento de trabalho, tanto para transportar objetos quanto pessoas.
“Quando a gente pensa na segurança do motociclista, a primeira coisa que vem na nossa mente é o uso do capacete, também as roupas especiais que possam garantir mais segurança para o motociclista. A gente pensa também em uma infraestrutura adequada, no comportamento, na velocidade, mas existem também as causas externas, muitas vezes inesperadas, que quando acontecem, podem resultar em um acidente e levar inclusive ao óbito”, explica o especialista.
Um exemplo desses riscos, segundo ele, são as linhas de cerol. Por isso, ele considera a iniciativa de Demétrio e de Ender como algo muito interessante. “Do ponto de vista da segurança, esse dispositivo pode sim aumentar a segurança para os usuários, evitando um acidente que ele possa ter um corte, infelizmente podendo se tornar uma vítima fatal”.
Para o professor, além da criação de acessórios que aumentem a segurança no trânsito, é importante também uma conscientização de prevenção: “é muito importante conscientizar as pessoas para o não uso da linha de cerol ou da linha chilena, porque elas podem, sim, provocar um acidente grave”.
Punição para uso de cerol
Até junho de 2026, o Hospital João 23 registrou 16 internações de vítimas de acidentes com linhas cortantes (cerol ou linha chilena) em Belo Horizonte. Já o levantamento da Associação Brasileira de Educação para o Trânsito, Abetran, alerta que se forem somados os atendimentos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital e hospitais da rede, o número de feridos chegou a pelo menos 35 pessoas nos primeiros cinco meses do ano.
Em Minas Gerais, a legislação que pune o uso e a comercialização de cerol e similares é rigorosa e atua tanto na esfera estadual quanto na municipal, além de prever implicações criminais. A Lei Estadual proíbe a comercialização, a posse e o uso de qualquer linha cortante, seja modificada com cerol ou produzida industrialmente, como a linha chilena.
A capital conta com regras próprias que complementam a lei do estado. Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Lei Municipal nº 11.125/2018 estabelece: Multa de R$ 2.000,00 para quem for flagrado utilizando as linhas, Multa de R$ 4.000,00 para quem armazenar, comercializar ou distribuir o material, As multas dobram em caso de reincidência, e comércios locais correm o risco de ter o alvará de funcionamento cassado.
Além das multas financeiras administrativas, o uso de cerol pode ser enquadrado como crime de trânsito ou crime comum. Se a linha atingir um motociclista, o infrator responsável pode responder criminalmente pelas lesões causadas e até por homicídio.
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