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Paraquedas de avião que caiu em Mateus Leme (MG) é acionado por foguete; entenda como funciona

Sistema é capaz de sustentar toda a aeronave durante uma emergência

Minas Gerais|Núbia Roberto, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O paraquedas do avião Cirrus SR22 é acionado por um foguete e faz parte de um sistema de segurança que permite que toda a aeronave desça em uma emergência.
  • O sistema inclui estruturas no trem de pouso, bancos com colmeia de alumínio e cintos de segurança com airbags para absorver o impacto no solo.
  • O piloto de 29 anos acionou o paraquedas após uma pane durante um voo intermunicipal, realizando um pouso de emergência em uma área de mata.
  • O piloto foi resgatado em segurança, sem ferimentos graves, e a situação foi controlada pelos bombeiros; investigações estão em andamento para apurar o incidente.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Avião monomotor cai e pega fogo na Grande BH; piloto conseguiu escapar Foto: Reprodução

O paraquedas acionado pelo piloto do avião que caiu em Mateus Leme, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, nesta terça-feira (25), não funciona como os equipamentos usados individualmente por paraquedistas. No modelo Cirrus SR22, o dispositivo faz parte de um sistema de segurança desenvolvido para permitir que toda a aeronave desça de paraquedas em uma situação de emergência.

Segundo Estevan Velásquez, piloto e instrutor da Cirrus Aircraft, o paraquedas não é apenas um acessório instalado no avião. Toda a estrutura da aeronave foi projetada levando em consideração o funcionamento do sistema.


“Diferentemente do que muita gente pensa, não é um acessório que esse avião tem, o paraquedas. No caso específico do Cirrus, a aeronave inteira foi desenvolvida e fabricada em volta de um sistema de salvar vidas”, explica.

O acionamento é feito pelo próprio piloto por meio de uma alavanca instalada no teto da cabine. Ao puxá-la, um foguete é ativado e retira o paraquedas do compartimento onde fica armazenado, permitindo que ele seja aberto rapidamente.


“O paraquedas tem um foguete para puxar esse paraquedas para fora, justamente para ele abrir o mais rápido possível, você perder a menor altitude possível e poder usar esse paraquedas o quanto antes”, afirma Velásquez.

Avião também tem estruturas para amortecer impacto

O sistema não se limita ao paraquedas. Segundo o instrutor, diferentes componentes do avião são projetados para ajudar a absorver a energia do impacto quando a aeronave chega ao solo.


Entre eles estão estruturas no trem de pouso, bancos com uma espécie de “colmeia” de alumínio para amortecimento e cintos de segurança equipados com airbags.

“A aeronave inteira foi feita e estruturada em volta do sistema do paraquedas. A gente tem desde amortecedores que seguram a queda, no caso da rodinha da frente, que a gente chama de bequilha. A gente tem bancos com um forro específico, que a gente chama de colmeia de alumínio, também para amortecer. Os pilotos têm airbag nos cintos”, detalha.


O equipamento, no entanto, possui limites para utilização. Segundo Velásquez, no caso da geração da aeronave envolvida no acidente em Mateus Leme, o sistema pode ser acionado a partir de determinadas condições de altitude e velocidade. A fabricante também oferece treinamento aos pilotos para ensinar quando e como utilizá-lo.

“É uma alavanca que fica no teto do avião, ao lado do piloto, que ele só levanta a mão e consegue puxar essa alavanca que inicia o sistema”, explica.

De acordo com o instrutor, o sistema já foi acionado com sucesso cerca de 150 vezes dentro dos limites previstos para as aeronaves e está associado a mais de 300 vidas salvas.

Piloto acionou sistema antes de pouso de emergência em MG

O mecanismo foi utilizado na manhã desta terça-feira pelo piloto de 29 anos que conduzia o Cirrus SR22, de prefixo PR-VMI. Segundo informações preliminares do Corpo de Bombeiros, a aeronave realizava um voo intermunicipal para uma possível manutenção quando teria apresentado uma pane, seguida de uma pequena explosão e um princípio de incêndio.

Diante da emergência, o piloto acionou o paraquedas da própria aeronave e realizou um pouso de emergência em uma área de mata no Distrito de Serra Azul, na zona rural de Mateus Leme.

O avião havia decolado do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, por volta das 7h45. Segundo a administração do terminal, durante a operação de decolagem não houve comunicação do piloto com a Torre de Controle relatando emergência, pane ou qualquer outra ocorrência.

O Samu, no entanto, classificou o estado de saúde do piloto como moderado. Uma equipe buscou o paciente no pronto atendimento e iniciou o transporte para a UPA de Mateus Leme, porém, após análise detalhada, o piloto, por ter inalado fumaça, foi encaminhado ao Hospital João 23, emBelo Horizonte.

Equipes do Corpo de Bombeiros controlaram a situação no local. Órgãos responsáveis pela investigação de acidentes aeronáuticos também foram acionados para apurar as circunstâncias da ocorrência.

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