PF indicia ex-cônsul da Rússia em BH por lavagem de dinheiro
De acordo com as investigações, o homem usava contas do próprio consulado para enviar dinheiro de um doleiro para Hong Kong e Singapura
Minas Gerais|Ezequiel Fagundes, da Record TV Minas

A Polícia Federal em Minas Gerais indiciou o ex-cônsul honorário da Rússia em Belo Horizonte pelos crimes de evasão de divisa e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, ele utilizou a conta bancária do próprio consulado para mandar dinheiro de um doleiro da capital mineira para países asiáticos.
O jornalismo da Record TV Minas teve acesso ao inquérito, com exclusividade. O documento foi encaminhado à Justiça Federal nesta semana, depois de quase seis anos de investigação.
De acordo com a PF, o cliente depositava dinheiro na conta corrente da empresa de fachada do doleiro. Em seguida, a quantia era repassada para a conta do consulado. De lá, a verba era remetida para contas em Hong Kong e Singapura. Ainda segundo as investigações, o ex-cônsul honorário, V. K. C., recebia 10% de cada transação, pagos por meio de notas fiscais frias, emitidas pelas empresas dos doleiros.
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O relatório aponta que V. K. C. movimentou mais de R$ 6 milhões nas contas do consulado e que ele levava uma vida incompatível com os rendimentos que tinha. Apenas em 2017, o ex-cônsul viajou sete vezes ao exterior. Ao analisar a movimentação bancária do investigado, a PF descobriu que ele estaria usando a conta do consulado para pagar por gastos particulares.
Carolina Bernardes, consulesa da Rússia em Belo Horizonte, informou à reportagem que o órgão está cooperando com as investigações.
— Repudiamos veementemente qualquer ação ilícita e envolvimento com o nome do consulado. Solicitamos esta investigação com a qual temos, desde então, contribuído. Tudo que nós podemos fazer para favorecer o processo, é o que temos feito.
Com cidadania brasileira e russa, V. K. C. deixou o país em 2017 e não retornou mais. O nome dele deve ser incluído na lista de procurados pela Interpol. Convocado três vezes para prestar depoimento na Polícia Federal, o ex-cônsul não compareceu. A reportagem não conseguiu contato com ele.
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