Minas Gerais Polícia conclui que assassinato de idoso foi motivado por racismo 

Polícia conclui que assassinato de idoso foi motivado por racismo 

Segundo inquérito Antônio Alves de Freitas foi morto a facadas por vizinho racista; se condenado, Joel de Souza Lima pode pegar 36 anos de prisão

  • Minas Gerais | Vinícius Araújo, da RecordTV Minas e Luíza Lanza*, do R7

Antônio foi assassinado a facadas pelo vizinho racista

Antônio foi assassinado a facadas pelo vizinho racista

Reprodução/RecordTV Minas

A Polícia Civil concluiu, nesta quarta-feira (10), o inquérito que apurava o assassinato de um idoso no bairro Tirol, na região do Barreiro, em Belo Horizonte. Na semana passada, Antônio Alves de Freitas, de 62 anos, foi perseguido e morto a 20 golpes de facas por um vizinho, Joel de Souza Lima, de 66 anos, motivado por racismo.

De acordo com a investigação, pouco antes do crime, os dois idosos haviam se desentendido em um bar, perto de onde moravam. Testemunhas contaram que Antônio ouviu ofensas raciais e ameaças proferidas pelo autor, e, com medo, decidiu ir embora.  Vizinhos de portão, eles se encontraram em frente às respectivas residências, quando Joel atacou a vítima.

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Para o delegado Domenico Rocha, a Polícia Civil não tem dúvidas de que o homicídio foi efetivamente premeditado e motivado pelo racismo. 

— Uma das testemunhas afirmou em depoimento que presenciou um dia antes o autor mostrar a faca utilizada no homicídio, dizendo que havia adquirido esta faca para matar uma pessoa. Ele matou a vítima com 20 golpes, inclusive em seu rosto, o que caracteriza que o autor buscava atingir não apenas a pessoa, mas a identidade da vítima por conta desse ódio que ele nutria contra as pessoas negras. 

O assassino alegou que o motivo seria, na verdade, uma desavença entre vizinhos. Mas, de acordo com o delegado, essa versão foi desconstruída durante a investigação. Dez pessoas foram ouvidas no inquérito e a Polícia Civil entendeu que a causa do homicídio foi mesmo injúria racial. 

Crime de racismo

De acordo com o delegado, o conteúdo dos depoimentos traz palavras "bárbaras, chulas e impronunciáveis", utilizadas por Joel para, diariamente, para disseminar seu ódio contras as pessoas negras. Por causa disso, ele vai ser indiciado por racismo, e não por injúria racial. 

— O racismo é um crime contra a sociedade, contra a coletividade em geral, não é uma pessoa específica. Ele agredia verbalmente não só familiares da vítima, mas pessoas que residiam ali proxima. E falava impropérios racistas não dirigido a uma pessoa específica, mas sim à sociedade como um todo. 

O crime de injúria racial consiste em ofender a honra de alguém pela raça, cor ou  etnia. Já o racismo atinge uma coletividade de indivíduos, discriminando toda a integralidade de uma raça. Ao contrário da injúria, o crime de racismo é inafiançável.

Joel está na cadeia e vai responder por homicídio duplamente qualificado, racismo e injuria racial. Se condenado por todos os crimes, as penas somadas podem chegar a 36 anos de prisão. 

Para o delegado da Polícia Civil, Emerson Morais, o caso dialoga com os movimentos contra o racismo que estão acendendo no mundo inteiro. 

— Não é demais dizer que nós estamos vivenciando um momento ímpar, sobretudo nos Estados Unidos com a morte de um negro. A gente olha muito a situação de outros países e esquece a situação que ocorre no nosso país. Lamentavelmente isso está enraizado na cultura brasileira. Mas também está enraizado no DNA a cor negra, as nossas origens negras. 

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*Estagiária do R7 sob a supervisão de Lucas Pavanelli

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