Saiba quem é o ‘Vovô Ciço’, Fusca furtado em Contagem que guarda 50 anos de história de uma família
Carro de 1974 pertenceu ao pai da atual dona, ajudou no sustento da família e hoje é usado na rotina do filho dela, que tem AME
Minas Gerais|Cler Santos, do R7 e Stéphanie Lisboa, da RECORD Minas
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Um Fusca 1974 que levou crianças para passear, ajudou no sustento de uma família, transportou uma mãe durante as gestações e atravessou gerações virou alvo de uma busca em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Conhecido carinhosamente como “Vovô Ciço”, o carro foi furtado no último domingo (4), dia das eleições, no bairro Eldorado. Mais do que recuperar um veículo, a família tenta reencontrar uma parte da própria história.
O VW/Fusca 1500 pertence à família de Aruquia Castro há cerca de 50 anos. O apelido é uma homenagem ao pai dela, Cícero, que morreu há mais de 20 anos e foi o primeiro dono do veículo. Segundo a família, ele trabalhava na Volkswagen, em São Bernardo do Campo, em São Paulo, e adquiriu o Fusca após deixar a fábrica.
“Ele faz parte da nossa vida há muitos anos. Ele que ensinou as meninas a dirigir. Foi tudo através dele. Então ele tem 50 anos conosco”, relembrou a mãe de Aruquia.
De amarelo a marrom
Antes de se tornar o “Vovô Ciço”, o Fusca também protagonizou histórias que ainda arrancam risadas da família. Originalmente amarelo, o carro chamava tanta atenção nas ruas de Ouro Preto, na região Central de Minas, que ajudava a mãe de Aruquia a descobrir por onde o marido andava.
“Chegava para mim: ‘Dona Amirtes, seu Cícero está perto de Mariana’. Eu perguntava: ‘Como você sabe?’. E falavam: ‘Ah, o Fusquinha amarelo só tem ele aqui na região’”, contou.
A solução encontrada por Cícero foi mudar a cor do veículo para marrom. O Fusca, porém, continuou fazendo parte da rotina da casa. Foi nele que a família fazia passeios e entregava compras da mercearia mantida em Ouro Preto. Segundo a mãe de Aruquia, o carro também era usado nos deslocamentos durante as gestações dos filhos.
“Eu mantive a família, porque trabalhava com ele lá em Ouro Preto. Eu tinha mercearia e entregava as compras dos fregueses. Então ele faz parte da nossa vida.”
Uma herança do pai
Depois da morte de Cícero, o Fusca permaneceu como uma das principais lembranças deixadas por ele. Durante um período, o veículo ficou parado na Bahia, ainda com a placa do estado. Aruquia decidiu buscá-lo e iniciou, aos poucos, um processo de restauração.
Sem emprego fixo e mãe solo, ela conta que usava parte do dinheiro conseguido com trabalhos, incluindo a venda de doces, para manter o carro funcionando.
“Todo dinheiro que entrava, além de ajudar em casa, era para ele. Manutenção, tudo. Eu batalho muito para colocar ele para rodar”, contou.
O apelido “Vovô Ciço” ganhou ainda mais significado com os filhos de Aruquia. Um deles não chegou a conhecer o avô, mas cresceu ouvindo as histórias de Cícero e do Fusca.
Hoje, além do valor afetivo, o veículo continua tendo uma função importante na rotina da família. Aruquia usa o carro nos deslocamentos e também para auxiliar nos cuidados com o filho, que tem atrofia muscular espinhal (AME).
“Foi a única coisa que meu pai deixou para a gente. É um carro que também me ajuda. Tem coisas que têm preço, mas ele não tem valor para a gente. É inestimável”, disse, emocionada.
Furto no dia da eleição
O “Vovô Ciço” desapareceu justamente no domingo de eleição. Segundo o boletim de ocorrência, uma mulher estacionou o Fusca na rua Norberto Mayer, no bairro Eldorado, em Contagem, enquanto foi votar. Ao retornar, percebeu que o veículo havia sido levado.
O registro policial aponta que o carro ficou estacionado por aproximadamente 30 minutos. O furto foi comunicado à Polícia Militar às 13h50. O veículo é um VW/Fusca 1500, ano 1974, de placa JMV-2195.
Desde então, familiares e amigos tentam conseguir imagens de câmeras de segurança que possam indicar o trajeto feito pelo carro. Uma gravação obtida pela família mostra o Fusca passando por uma rua após o desaparecimento.
Para Aruquia, cada dia sem notícias aumenta a sensação de que não foi apenas um automóvel que desapareceu.
“Acabaram com a minha história, com a história da minha família. Eu fui criada nele. Foi ele que ajudou minha família a se erguer. Eu não consigo parar de chorar. Me dá uma tristeza, uma revolta”, desabafou.
Apesar da angústia, a família mantém a esperança de reencontrar o carro que acompanhou três gerações.
“Agora cortaram a nossa felicidade. Mas eu tenho fé que essa pessoa que pegou vai se arrepender e devolver o nosso Cícero”, afirmou a mãe de Aruquia.
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