Minas Gerais Tragédia de Mariana: Renova atrasa entrega de casas pela 3ª vez

Tragédia de Mariana: Renova atrasa entrega de casas pela 3ª vez

Apenas cinco dos 306 imóveis prometidos estão prontos no dia em que comunidades destruídas por lama seriam reinauguradas

  • Minas Gerais | Pablo Nascimetno, do R7

Mais de 300 casas serão construídas

Mais de 300 casas serão construídas

Divulgação / Cáritas

A Fundação Renova, responsável pela reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem da Samarco, em novembro de 2015, atrasou pela terceira vez a reconstrução das comunidades varridas pela lama de rejeitos na cidade de Mariana, a 110 km de Belo Horizonte.

Neste sábado (27), quando os moradores das vilas de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo deveriam receber as chaves de suas novas casas, apenas cinco dos 306 imóveis prometidos estão prontos. Ainda não há uma nova data para a conclusão dos trabalhos.

De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais, o primeiro prazo para a entrega das casas era 31 de março de 2019, mas ele foi estendido para 27 de agosto de 2020 e, novamente, jogado para fevereiro deste ano.

A Renova alega que a pandemia de covid-19 atrasou o trabalho ao exigir a redução das equipes do canteiro de obras. A fundação tenta na Justiça uma nova data para entrega.

Protesto

Moradores fizeram protestos no canteiro de obras

Moradores fizeram protestos no canteiro de obras

Divulgação / Associação dos atingidos

A situação causou indignação às famílias que há mais de cinco anos vivem em imóveis alugados pela Renova. Nesta manhã, um grupo de aproximadamente 40 pessoas fez um protesto na área onde é construído o novo Bento Rodrigues.

As cinco casas que já estão prontas estão na comunidade. Segundo os responsáveis pela obra, outras 20 estão em fase de construção. A previsão é que mais 64 sejam concluídas até o fim de 2021, mas não há estimativas em relação às demais 140.

O comerciante Mauro Marcos da Silva, de 51 anos, um dos moradores que aguardam para ter a casa de volta, avalia que o atraso tem sido degradante para os atingidos pela barragem.

Silva relata que ainda não aprovou o projeto oferecido para reconstrução do imóvel dele, uma vez que aguarda retorno da Renova sobre uma diferença no terreno antigo que era plano, já que o atual está em uma área com morros.

— É necessário que a Justiça tome as providências cabíveis. A partir de agora vamos questionar para o Judiciário sobre o que será feito.

No novo Bento Rodrigues também há a conclusão de 95% da infraestrutura de terreno, de 91% da estação de tratamento de esgoto e execução da fase de acabamentos da escola erguida na comunidade.

As casas destruídas no distrito de Gesteira não tinham previsão para conclusão hoje. Lá, serão 17 famílias reassentadas. O projeto para comunidade ainda está em fase de elaboração. A Renova aguarda liberação da justiça em relação à proposta de abastecimento de água para o local. Outras 14 famílias do distrito optaram por comprar casas prontas.

"A Fundação Renova permanece dedicada às obras dos reassentamentos, com a previsão de um investimento de R$ 1 bilhão para 2021, um aumento de 14% em relação ao ano anterior. O valor refere-se a todas as modalidades de reassentamento, englobando as construções dos novos distritos de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Gesteira, e, também, a modalidade de reassentamento Familiar e a reconstrução de residências em comunidades rurais", destacou a fundação em nota.

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