Minas Gerais Um ano e meio após prisão, médico acusado de abuso não foi julgado

Um ano e meio após prisão, médico acusado de abuso não foi julgado

Edilei Rosa de Novaes responde a processo no CRM e na Justiça após denúncias de abuso sexual por 17 mulheres em BH

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli, do R7

Médico foi preso 2 vezes

Médico foi preso 2 vezes

Reprodução/Redes sociais

Um ano e meio depois de ter sido preso acusado de abusar sexualmente de uma paciente em um hospital de Belo Horizonte, o ginecologista Edilei Rosa de Novaes ainda não foi julgado pela Justiça mineira e pelo CRM-MG (Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais). 

O médico foi denunciado pelo Ministério Público em julho do ano passado pela prática de ato libidinoso, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a manifestação da vítima. O crime está previsto no artigo 215 do Código Penal e prevê pena de dois a seis anos de prisão. 

De acordo com a denúncia, Edilei teria se aproveitado das consultas para abusar das mulheres. Ele é sócio no Hospital e Maternidade Santa Fé, na região Leste de Belo Horizonte. Para isso, o Ministério Públicou incluiu, no documento, os relatos de quatro mulheres, que contaram que os assédios ocorreram entre julho de 2014 e agosto de 2019. Uma delas tinha menos de 18 anos á época dos fatos.

Outras 13 mulheres procuraram a Polícia Civil para relatar queixas parecidas mas, de acordo com o MP, não foi possível incluir essas denúncias no processo. Isso porque os abusos teriam ocorrido antes de setembro de 2018, quando a abertura de uma ação penal dependia da manifestação de vontade da vítima em até seis meses, exceto quando se tratasse de vítima menor de idade, como era o caso relatado em julho de 2014.

Ele passou dois dias preso, mas foi liberado após pagar fiança de R$ 20 mil. Edilei voltou a ser preso em dezembro de 2019, mas foi beneficiado por um habeas corpus concedido pela Justiça de Minas.

Primeira denúncia

A primeira denúncia contra o ginecologista Edilei Rosa de Novaes foi uma mulher de 22 anos. Ela chamou a polícia após uma consulta, na noite de 27 de novembro de 2019, quando ele a teria assediado verbalmente e, ao final da consulta, a segurou pelo braço e tentou beijá-la à força.

— No começo da consulta estava tranquilo, mas quando voltei do ultrassom ele começou a me dizer algumas coisas absurdas. No final ele puxou o meu braço e já veio encostando a boca no meu rosto, tentando me beijar na boca.

A jovem contou também que ao relatar o que aconteceu para uma enfermeira do hospital, ela informou que já havia presenciado atitudes parecidas do médico com outras pacientes.

—  Quando eu contei para uma enfermeira que o médico tentou me beijar ela disse já tinha presenciado algumas coisas desse tipo no hospital.

Defesa

De acordo com o CRM-MG, um procedimento administrativo foi aberto para apurar os fatos, que ainda estão em fase de instrução. Em nota, o Conselho afirmou que a apuração segue em sigilo, "em conformidade com o Código de Processo Ético Profissional". 

O processo criminal também segue em sigilo no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A denúncia foi aceita pelo TJMG em outubro de 2020, três meses após a conclusão da apuração pelo Ministério Público, e inclui, como vítimas, seis mulheres, duas a mais que consta no documento do MP. 

Procurado, um de seus advogados, Carlos Felipe Velloso, disse que, em respeito ao sigilo imposto pela Justiça, não poderia fornecer mais detalhes sobre o processo. No entanto, ele afirmou que "a improcedência da acusação é solar".

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