Minas Gerais Vereador de BH suspeito de 'rachadinha' teria usado 'laranjas' para ocultar bens, diz investigação

Vereador de BH suspeito de 'rachadinha' teria usado 'laranjas' para ocultar bens, diz investigação

Inquérito indica que Léo Burguês teria escondido ser dono de dois carros e dois apartamentos para evitar bloqueio de bens

  • Minas Gerais | Ezequiel Fagundes, da Record TV Minas

Léo Burguês disse que carro de luxo pertence ao pai dele, mas inquérito questiona

Léo Burguês disse que carro de luxo pertence ao pai dele, mas inquérito questiona

Edição / R7

O inquérito da Polícia Civil que investigou o suposto esquema de rachadinha envolvendo o vereador Léo Burguês (União) aponta que o parlamentar usou laranjas para ocultar bens.

O relatório de 271 páginas, ao qual a reportagem teve acesso, aponta que dentre o patrimônio que teria sido ocultado estão dois carros - um utilitário esportivo e um sedã alemão de luxo - além de dois apartamentos localizados na região centro-sul de Belo Horizonte. Um deles é uma cobertura.

Mensagens telefônicas descritas no inquérito reforçam a suspeita de que o veículo utilitário esportivo, na realidade, pertence a Léo Burguês, apesar de estar registrado no nome do pai do parlamentar. Uma das conversas acontece entre o irmão de Burguês e uma então assessora do vereador.

"Bom dia. Tem como me passar o chassi do carro do Léo para o papai atualizar uma multa? Fico aguardando, obrigado", pergunta o irmão do parlamentar. Minutos depois, a assessora manda a foto do documento.

Em outra conversa, Burguês negocia a venda do carro. "Vai querer passar o carro?", pergunta o possível comprador. "Passo sim", responde Burguês.

Em relação ao outro veículo, um sedã alemão de luxo, o motorista de Burguês contou, durante depoimento, que dirigia o carro particular de Léo Burguês. Também em depoimento, o pai de Burguês confirmou que o veículo era do seu filho.

Apartamentos

Sobre os dois apartamentos, um está registrado em nome da filha de Burguês e o outro em nome de uma antiga proprietária que, por sua vez, já vendeu o imóvel para uma conhecida empreiteira da capital.

Mensagens telefônicas entre Burguês e uma assessora reforçam que o vereador tem dois imóveis, identificados na conversa como "Major" e "Outono", nomes ligados aos das ruas dos apartamentos. O relatório indica que Burguês pagava os impostos e também recebia aluguéis dos imóveis.

"Olha quanto paguei de IPTU na Major Lopes esse ano . Agora por favor". "Depois olha se o aluguel da Major caiu", escreveu o vereador. "Caiu 2.099,00 dia 13.06" (sic), respondeu a assessora.

"Esse não é da Outono ?", continua Burguês. "Outono era 2.000 - 10%", completa a assessora.

Os investigadores acreditam que a ocultação de bens acontece devido ao fato de Burguês ser alvo de uma decisão judicial de bloqueio de bens em ação do MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) no valor de R$ 587 mil. Nenhum centavo foi encontrado nas contas dele.

"A ocultação de patrimônio feita por Léo Burguês, tanto de automóveis, como imóvel e valores, usando interpostas pessoas se mostra, então, como uma forma de evadir da ação de cobrança do Estado, protegendo também um patrimônio construído com aporte de dinheiro ilícito", indica trecho do inquérito.

Léo Burguês nega que o carro de luxo pertença a ele. Alegando que não pode falar sobre a investigação, Burguês se defendeu das suspeitas e garantiu que não há a hipótese de renunciar ao mandato.

"Estou tranquilo em relação aos fatos que foram imputados contra mim. Eles são graves. Espero que não tenha nenhum rito sumário e que respeitem o devido processo legal", disse durante pronunciamento na Câmara nesta semana,

"Com relação aos fatos do inquérito, continuo mantendo a orientação de que sempre seja reafirmado o sigilo judicialmente decretado e que não pode falar sem autorização judicial, sob pena de incorrer em crime previsto no art. 10 parte final da Lei nº 9.296/96, na modalidade "quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei", com pena de reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, conforme redação dada pela Lei nº 13.869. de 2019", destacou Léo Burguês em nota.

Quem é Léo Burguês

Político influente, Léo Burguês cumpre o quinto mandato na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Já presidiu a Casa por quatro anos e foi líder do governo municipal em duas oportunidades.

Após ser indiciado pela Polícia Civil por peculato, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa, um pedido de cassação do mandato de Léo Burguês foi enviado à Câmara nesta segunda-feira (30).

Antes de entrar na política, Burguês ficou conhecido pelas movimentadas festas que promoveu na região centro-sul de BH na década de 1990 e no início dos anos 2000. Ele já foi alvo de pelos menos dois inquéritos do MPMG por má gestão de verbas da Câmara.

Em um dos casos, foi descoberto que ele gastou dinheiro público para contratar o buffet da mulher do seu pai. Por conta disso, foi condenado em 2021 pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) a devolver R$ 127 mil.

Um dos gastos irregulares apontados pelo TCE foi justamente na fábrica de salgados da madrasta do parlamentar, caso que ganhou marchinha no carnaval de 2012, com o hit “Na Coxinha da Madrasta".

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