Minas Gerais Vereadores homenageiam suspeito de pichar Igreja da Pampulha

Vereadores homenageiam suspeito de pichar Igreja da Pampulha

Principal ponto turístico de Belo Horizonte foi alvo de pichadores em 2016; vereador diz que grafiteiro é um artista que está sendo perseguido

  • Minas Gerais | Gisele Ramos, da Record TV Minas

Ponto turístico foi pichado em 2016

Ponto turístico foi pichado em 2016

Reprodução / Record TV Minas

Um suspeito de ter pichado a Igreja da Pampulha, um dos principais pontos turísticos de Belo Horizonte, recebeu um diploma de honra ao mérito na Câmara de Vereadores da capital mineira. A homenagem dividiu opiniões e gerou críticas da Polícia Civil.

O tributo foi entregue com base em um pedido feito pelo vereador Arnaldo Godoy (PT), durante as comemorações da Quinta Semana do Hip-hop. Durante a cerimônia, cerca de 200 personalidades do meio foram homenageadas, entre elas, João Marcelo Ferreira Capelão, conhecido como Goma.

De acordo com o delegado Eduardo Vieira Figueiredo, o homenageado é um dos maiores pichadores da capital mineira e já teria sido preso duas vezes por envolvimento neste tipo de infração. A última prisão foi em setembro deste ano, durante a operação “Muro Limpo”. De acordo com a polícia, Goma também estaria envolvido na ocorrência registrada na Pampulha, em 2016.

— No passado, existiram diversos registros de pichação praticados por ele, de modo que a Polícia Civil fez as investigações e apresentou os resultados ao poder Judiciário para aplicação das sansões penais.

O vereador Arnaldo Godoy, contudo, defende Goma das acusações e acha que o homem está sendo perseguido. Segundo o parlamentar, o homem faz grafite em eventos culturais.

— Goma não é bandido. Ele é um artista. Isto é um preconceito dos brancos e da cultura europeia contra uma juventude que faz do hip-hop e do break uma expressão cultural contra a dominação, a exclusão, o preconceito e o racismo estruturante da nossa sociedade.

Sobre a suposta pichação do artista no cartão-postal de BH, Godoy disse que ele teria sido relacionado ao caso pelo fato de vender as tintas usadas para fazer as pinturas.

— Goma é um arte-educador. Ele tem uma loja de produtos da linguagem hip-hop e foi criminalizado porque houve uma pichação na igrejinha da Pampulha e, por ele vender a tinta, foi acusado de ser um dos pichadores.

Os responsáveis pela Quinta Semana de Hip-hop informaram que não vão comentar o caso, já que a entrega do título de honra ao mérito é organizada pela Câmara Municipal de Belo Horizonte. A organização do evento disse, ainda, que Goma não faz parte da programação oficial. O R7 fez contato com grafiteiro, mas não teve retorno.

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