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Bill Gates bancou documento da OMS sobre certificados de vacina?

Mensagem em grupos de aplicativo insinua que fundações filantrópicas influenciaram as orientações da organização

MonitoR7|Do R7

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Tedros Adhanom, diretor da Organização Mundial da Saúde(OMS)
Tedros Adhanom, diretor da Organização Mundial da Saúde(OMS)

Mensagem divulgada em grupos de aplicativos trata da posicionamento da Organização Mundial da Saúde(OMS) sobre certificados de vacinação. A mensagem se baseia em documento oficial da organização, que defende o uso preferencial pelos países de certificados de vacinação digital, em vez de impressos. 

A mensagem, no entanto, procura relacionar o posicionamento da OMS com interesses de outros grupos. Além de trazer em destaque a frase "[Vejam os interesses!]", a mensagem coloca entre aspas a palavra "parceiros", no trecho em que a organização afirma que o documento serve de orientação para os países e os parceiros de implementação da medida. No título, o destaque é a informação de que o projeto é financiado pelas fundações Gates e Rockfeller.


Quase quatro mil pessoas visualizaram a mensagem, em apenas um grupo, que reúne defensores do chamado "tratamento precoce", geralmente contrários às vacinas contra Covid-19. A publicação traz ainda um atalho para página de internet, em espanhol, que reúne informações distorcidas ou falsas sobre as vacinas e o processo de vacinação. Na página há um atalho para o documento da OMS.

Primeiro, é necessário entender o que é o projeto a que a mensagem faz referência. Trata-se de uma orientação aos países para implementar o certificado virtual da vacina. A entidade aconselha o favorecimento da versão eletrônica, pois as cadernetas de vacinação de papel podem ser danificadas, perdidas e são mais sujeitas a fraude.


O documento, no entanto, não descarta o uso da versão em papel. A instituição defende que os certificados digitais não podem excluir as pessoas que não têm um smartphone ou um computador. Por isso, a OMS sugere também um código de barras impresso na caderneta de vacinação em papel, como já foi adotado por muitos estados brasileiros.

O documento elaborado pela OMS serve apenas de orientação e é direcionado principalmente aos países que dispõe de menos recursos e carência de padrões técnicos para elaboração de documentos digitais. Não se trata de uma imposição ou uma exigência da organização.


A OMS, aliás, tem adotado uma posição mais flexível que a de muitos países em relação à exigência de comprovantes de vacinação. A entidade é contra, por exemplo, a exigência de comprovante de vacinação de visitantes estrangeiros. A OMS afirma que, devido à desigualdade nos estágios de vacinação entre os países, a criação de mais barreiras alfandegárias somente traria mais problemas e agravaria as diferenças.

Sobre o financiamento desse projeto, o próprio documento traz a informação de que sua elaboração foi financiada pelas fundações Rockefeller e Bill and Melinda Gates, além dos governos da Estônia e do Kuwait e a Fundação Botnar. A fundação de Gates é a segunda maior colaboradora da OMS, atrás apenas dos EUA. Ela financia diversos temas e projetos, assim como a Fundação Rockefeller.


Logo após a informação sobre os financiadores do projeto, está a afirmação de que "as opiniões dos órgãos de financiamento não influenciaram o conteúdo deste documento". Ao informar seus financiadores, a OMS cumpre padrões internacionais de transparência.

Como se trata de um documento eminentemente técnico, incapaz de influenciar políticas públicas, parece improvável que os financiadores tivessem algum interesse em influenciar o seu conteúdo. As informações da mensagem, portanto, são verdadeiras. Mas é praticamente impossível confirmar ou desmentir as insinuações levantadas na mensagem divulgada em grupos de aplicativos.

Você tem uma informação que gostaria que fosse checada? Envie mensagem para o MonitoR7, por WhatsApp ou Telegram: (11) 9-9240-7777

As fundações citadas realmente financiaram o documento. Mas, segundo a OMS, não influenciaram o conteúdo.
As fundações citadas realmente financiaram o documento. Mas, segundo a OMS, não influenciaram o conteúdo.

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