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Crianças tomadas dos pais. Vacinação na Austrália é assim?

Blogueira fez vídeo com críticas ao combate à Covid-19 na Austrália e na Nova Zelândia

MonitoR7|Do R7

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Mulher usando máscara em Sidney, cidade mais populosa da Austrália
Mulher usando máscara em Sidney, cidade mais populosa da Austrália

Circula em grupos de Telegram um vídeo de autoria da blogueira Amanda Possamai, datado do dia 18 de agosto, em que ela comenta informações sobre o combate à pandemia da Covid-19 na Austrália e na Nova Zelândia.

Austrália


Amanda Possamai é conhecida por divulgar conteúdos anti-vacina em sua página no Instagram. No vídeo que circula em grupos de aplicativo, ela reclama do que está ocorrendo na Austrália, que ela chama de tirania. A blogueira diz que pais australianos foram proibidos de ver a criança recém-nascida no hospital, pois mesmo vacinados contra a Covid-19 eles poderiam transmitir a doença.

Amanda usa trecho de vídeo sobre o caso de Sarah Haidar, da cidade de Brisbane, que estava grávida de 30 semanas deu entrada no hospital para fazer exames de rotina e descobriu complicações na gravidez. Ela foi submetida a uma cesárea de emergência e deu à luz o filho Ilyas, no dia primeiro de junho.


Como nasceu prematuramente, o bebê foi levado para a UTI neonatal do Royal Brisbane and Women's Hospital. Sarah e o pai do bebê se queixaram à imprensa local porque a partir daí não foram autorizados a ver o filho. 

A chefe do Departamento de Saúde do hospital, Jeanette Young, justificou na sequência, em depoimento que também é usado no vídeo da blogueira, que não autorizou a vista dos pais em razão do protocolo da unidade de saúde. 


Uma semana depois do nascimento de Ilyas, no dia oito de junho, após cumprirem quarentena e terem negativado no teste de Covid, Sarah e Haydar puderam visitar o filho.

A maneira como a informação é tratada no vídeo que viralizou na internet é enganosa. Trata de um caso real, de pais que enfrentaram restrições para ver o filho recém-nascido, mas pela condição de saúde do bebê.


No vídeo, sem detalhar a situação, fica a impressão de que esta é uma situação que afeta todos ou um grande número de pais de crianças recém-nascidas na Austrália. E que o único motivo para a medida foi a pandemia de Covid-19

Em outro trecho do vídeo, Amanda acusa o governo australiano de “recolher 24.000 crianças de seus cidadãos e colocá-las em um campo de quarentena de um estádio para serem vacinadas”. Na publicação, é incluída uma fala, cortada, do secretário de Saúde da cidade de New South Wales, Brad Hazzard, para indicar a quem assiste ao vídeo que a vacinação seria compulsória.

Isso não é verdade. As autoridades australianas criaram um ponto de vacinação exclusivo em Sidney para estudantes adolescentes do 12° ano, que em outubro farão o HSC, prova feita para conseguir adquirir o certificado de conclusão do Ensino Médio no país.

No trecho da fala do ministro que não foi incluída no vídeo, Hazzard faz questão de afirmar que a imunização não é obrigatória e sim optativa e que esse grupo, de cerca de 24 mil estudantes, teriam uma “oportunidade de ouro” para receber a primeira dose da vacina da Pfizer.

O local escolhido para atender os jovens que quiseram se vacinar foi o Qudos Bank Arena, estádio com capacidade para 21 mil pessoas, que foi usado durante uma semana para realizar a imunização.

Na entrevista coletiva, o ministro esclarece que pais e mães não estavam autorizados a acompanharem a imunização para evitar aglomerações no local, já que Sidney esteve em lockdown durante o mês de agosto, para evitar o avanço da variante delta. Mas eles estavam autorizados a esperar do lado de fora.

Nova Zelândia

No mesmo vídeo que viralizou em grupos de aplicativos, Amanda comenta sobre um “absurdo” que está ocorrendo na Nova Zelândia, ao se referir ao lockdown decretado pela primeira-ministra Jacinda Arden. Em seguida, é exibido um trecho de entrevista coletiva da chefe de Estado, pedindo à população para “não falar com os vizinhos, não aglomerar e, por favor, mantenha-se em suas bolhas”.

Isso de fato aconteceu. No dia 17 de agosto todo o país entrou no alerta nível 4, que determina início do lockdown. A decisão foi adotada pois não foi possível sequenciar a corrente de transmissão ou identificar se o caso se decorreu de uma viagem internacional. Isso significa que havia a possibilidade de existirem outros casos de pessoas infectadas circulando pelo país, ainda sem ter a contaminação identificada.

"Você tem uma informação que gostaria que fosse checada? Envie mensagem para o MonitoR7, por WhatsApp ou Telegram: (11) 9-9240-7777"

Blogueira
trouxe informação falsa sobre imunização de adolescentes na Austrália e lockdown na Nova Zelândia
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