Governo dos EUA mudou avaliação sobre relação vacinas X autismo?
O CDC, órgão de saúde do governo dos Estados Unidos, teria retirado do seu site a afirmação de que vacinas não causam autismo
MonitoR7|Do R7

Postagens que circulam nas redes sociais e aplicativos de mensagens reproduzem publicação de um portal dos Estados Unidos. A manchete da publicação afirma que o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) tirou o artigo "Vacinas não causam autismo" do cabeçalho da sua página sobre o tema na internet. O CDC é o principal órgão de saúde dos EUA.
A publicação original é do Ican (sigla em inglês para Canal de Ação Informativa Consentida), de propriedade de dois médicos antivacina, que se propõem a "dar informação médica de qualidade, longe de interesses financeiros".
Segundo eles, o conteúdo do CDC foi removido do cabeçalho após "se renderem" aos apelos judiciais feitos pelo Ican, porque o órgão de saúde não conseguiria mais provar que vacinas não causam autismo.
As informações do artigo do Ican são falsas. O conteúdo sobre a relação entre vacinas e autismo continua na mesma página da internet. Só mudou de lugar. O cabeçalho da página sobre vacinas e autismo agora é sobre o Transtorno do Espectro Autista(TEA), fala sobre a reincidência da condição nos Estados Unidos e as ações do CDC sobre o tema. Logo após este breve parágrafo sobre o autismo, já aparece o artigo que refuta a ligação entre vacinas e o transtorno.
A tentativa de ligar vacinas ao TEA é antiga. Ela começou no Reino Unido em 1998, após um cientista descrever que 12 crianças tinham desenvolvido comportamentos autistas e inflamação no intestino. A causa seria a presença de vestígios do vírus causador do Sarampo, que vem atenuado na vacina tríplice viral(Sarampo, Rubéola e Caxumba). Porém, estes indícios não passavam de uma hipótese desenvolvida pelo médico e não comprovada.
O estudo mais completo sobre o tema foi feito na Dinamarca, pelo Instituto Serum Statens, que concluiu que não existe nenhuma ligação entre o Transtorno do Espectro Autista e a vacina tríplice viral. A pesquisa acompanhou mais de 600 mil crianças dinarmaquesas por cerca de 15 anos, comparando as crianças vacinadas e não vacinadas, se tinham ou não o TEA. A pesquisa considerou ainda a existência de fatores de risco, como irmãos autistas, fumo durante a gravidez e bebês prematuros. Não foi observada nenhuma diferença entre todas as crianças analisadas.
Outro argumento de quem acredita que vacinas causem autismo é o aumento do número de pessoas com TEA desde o começo do século XX, associando isto com a vacinação. Não se tem ainda uma explicação certeira sobre o assunto. Especialistas acreditam que seja uma combinação de aumento nos estudos sobre autismo, além de uma capacidade maior de diagnóstico.
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