Santos parou uma guerra na Nigéria em 1969? Duvidoso
Feito celebrado por torcedores não é consenso entre historiadores; time de Pelé teria sido usado de forma política por regime
MonitoR7|Do R7

O Santos de Pelé é um dos maiores esquadrões da história do futebol mundial. Os feitos da equipe durante os anos 60, seis vezes campeã brasileira, bicampeã mundial e da Libertadores, são celebrados até hoje pela torcida santista, mas um em específico ganhou até canto das torcidas organizadas do Peixe: "só o Santos parou a guerra!"
No entanto, não é bem assim. A versão santista é de que havia um conflito em Benin, na Nigéria, em 1969, entre duas facções, de ideologias opostas. O prefeito da cidade anunciou que o Santos jogaria na cidade para ajudar na arrecadação de dinheiro e pediu o cessar fogo. Os conflitos então pararam num período de dois a três dias. Porém, essa versão não é consenso entre historiadores.
A guerra civil na Nigéria começou em 1967. Por possuir grandes reservas de petróleo, a região de Biafra, no sudeste do país, tentou sua independência. Cerca de dois milhões de nigerianos morreram nesse processo, e imagens de crianças desnutridas e terras arrasadas ganharam repercussão mundial.
Em 1969, o Santos embarcou para África, a terceira passagem da equipe de Pelé pelo continente africano. Segundo o historiador José Paulo Florenzano, que teve como tema de sua pesquisa de pós-doutorado na USP as viagens à África feitas pelo Peixe, "era interessante para os governantes locais vincularem seus nomes ao de Pelé".
Naquele ano, a tour do Santos passaria por Brazaville, no Congo, Kinshasa, na República Democrática do Congo, Lourenço Marques, em Moçambique, e Lagos, na Nigéria. Apesar da agenda já recheada de comprimissos, o Peixe foi convencido a fazer mais uma exibição na Nigéria, mas em Benin, região que estava diretamente envolvida na guerra civil com Biafra, a cidade que tentava a independência.
A estratégia do governo de Benin era reconquistar a população Ibo, etnia que havia proclamado a independência de Biafra. Na época, passados dois anos do início da guerra civil, Biafra estava quase que inteiramente cercada, além de ter perdido mais da metade do território. Até a Cruz Vermelha tinha dificuldade de transitar pela região para socorrer e levar mantimentos para a população afetada pelo conflito.
Para Florenzano, o governo nigeriano tinha controle absoluto da guerra e do território, e a vinda do Santos era uma demonstração de soberania. “A questão é lógica. Por que o governo, a Federação de futebol do País, gastaria para trazer o Santos, de Pelé, em uma área que ele não teria controle (Benin)? Qual o interesse de negociar um cessar fogo com o inimigo, mandando uma mensagem negativa para a sociedade nigeriana que não se tem controle pleno da situação?”, questiona o estudioso.
“A única coisa que faz sentido é imaginar que o governo nigeriano levou o Santos para Benin como peça para propaganda da guerra. Levar o Santos na cidade era uma maneira de cicatrizar o trauma e mostrar que estava tudo sob controle.”
O jogo acabou acontecendo em 4 de fevereiro, no fim da excursão. O Santos venceu a equipe local por 2 a 1, com gols de Toninho Guerreiro e Edu. No dia seguinte, o time foi embora do país. A guerra durou até janeiro de 1970. “Claro, era uma guerra. Havia possibilidade de um ataque guerrilheiro. Mas não era uma cidade que estava em disputa e parou para o Santos jogar. Esse é o dado central.”
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